domingo, julho 20, 2014

Sim, porquê?


Porque me ensinaste que nós,
aqueles que ouvem a flauta ao fundo do deserto,
conseguimos ser límpidos, claros e sinceros
sem medo de quebrar o peso das convenções
que os outros,
os tais que temem os ventos e remoinhos,
criaram para se defender "do peso da palavra dita"?
Sim, porquê?

Porque me mostraste as tantas formas de sentir,
formas de abraçar
e me provaste que é na vontade de os viver
que fortalecemos as linhas que tecem
os caminhos que nos aproximam?
Sim, porquê?

Porque me lês, por um oceano de distância,
e me mostras o quão perto podemos estar,
por mais distantes ou próximos estejamos,
tendo como rede que nos aconchega
apenas a confiança da partilha sincera,
desta simplicidade que temos para nos dar?
Sim, porquê?

É que, sabes?
Na verdade essa pode ser a nossa verdade,
mas não é a do mundo.
Na verdade essa confiança vive entre nós,
mas raramente no mundo.
Na verdade o nosso abraço é límpido,
mas difíceis de descodificar os do mundo.
Na verdade as palavras que trocamos são claras e sentidas,
mas muito mal tratadas no resto do mundo.

Então ensina-me
a viver entre estas realidades sem me perder das duas.
Então mostra-me
como dizer de mim sem ficar ao largo
e como ler o mundo sem me deixar magoar por ele.

É que foste tu
que me ensinaste que nós,
não temos medo das convenções,
não nos coibimos de sentir
e até conseguimos confiar-nos a quem nos abraça.

Então porque me sinto estrangeira na minha cidade?
Sim, porquê?


Liliana


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