quarta-feira, julho 30, 2014

madrepérola AZUL

Sim, é verdade que os ventos do oriente me balançam e me embalam quando estou contigo. Mesmo que, quando olho para ti o sorriso se agarre à face e, teimoso, não se deixe mostrar.

Sim, é verdade que quando as tuas mãos, ao cruzarem-se com as minhas, ocasionalmente se tocam, as minhas tremem por dentro. Ainda que demorem o dia inteiro a ganhar coragem para, às tuas, responder.

Sim, é verdade que fujo do teu olhar, desenhando voos de gaivotas no céu por mais longe que estejamos do mar. Mesmo que, fugindo, te espere encontrar num virar de face.

Sim, é verdade que te espero numa praia com pedras e um mar disfarçado de rio, para que me encontres dentro duma madrepérola perdida na areia. Ainda que pareça que enterro os pés e olho o pôr do Sol com toda a calma do mundo.

Num sonho de verão sentámo-nos na areia, com a ponte de um lado e o mar a nascer do outro e, sem carros nem telefones nem pessoas nem barcos nem aviões, saí da concha e olhei-te sorrindo.

Num sonho de verão em que o Sol me aqueceu a pele e me ajudou a entrelaçar os dedos nos teus, chegar-me a ti e, sem medos, deixar que os meus lábios muito lentamente tocassem os teus.

Num sonho de verão, em que as palavras e as intenções e as expressões e... os silêncios, eram apenas aquilo que pareciam ser. E nada mais fazia falta.

Num sonho, num daqueles sonhos de verão que, de tão organizados, mesmo depois de acordada consegui lembrar uma madrepérola azul que me protegia do mundo.


Liliana



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