domingo, janeiro 12, 2014

Lua

Há uma sala em mim, que se perdeu nas curvas do corredor da vida, onde ninguém entra.
Há um canto dentro de mim, que fica na sala do fundo, onde me sento sozinha.
Há uma força que me embala enquanto agarro os joelhos num canto da sala dos fundos.

Venho à janela, olho a rua, aprendo com os que passam e saio.
Passeio pela cidade, a minha cidade, que me leva sempre ao Tejo.
Sorrio meios sorrisos e dou-te a mão mais por mim do que por ti.

Nesta sala enterrada em mim, longe de tudo e todos, a porta nunca se abre.
Sentada no chão do canto da sala vejo-me só, afastada de todos, longe do Sol, para sempre embalada pela Lua.
E então, vou à janela e passeio pela minha cidade, com um lado embalado pelo Tejo e outro enterrado na sala dos fundos.
Duas faces de mim, eternamente separadas, para sempre distintas e contraditórias.

Há uma sala no fundo de mim onde, para viver, me deixei dividir entre a Lua e o Sol.


Liliana



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