segunda-feira, junho 10, 2013

Feira do Livro

Olho para ti, com o Tejo como cenário ao fundo, e vejo-me dentro dos olhos. Sentada aqui deste lado do monitor, com algum receio de voltar a calcar as teclas mas com a certeza de que é nelas e com elas que me (re)invento a cada queda (e todas as flores precisam cair uma vez por ano para que nasçam novos frutos).

Cresceste/emos tanto!

Está-se bem ao teu lado agora. As conversas, que sempre foram agradáveis, são mais tranquilas (e que falta me faz um pouco de tranquilidade nestes dias). Afinal a pouca que tenho, que encontro, que cultivo é, qui çá, a pouca que sempre tiveste e não conseguiste juntar.

Somos um. Tão iguais afinal. Tão iguais. 

Volto às palavras que abandonei (ou me abandonaram) há tantas noites e, ainda a medo avanço pelo labirinto das metáforas e dos segundos sentidos. Nunca gostei de coisas demasiadamente explícitas, tem de haver sempre um certo pudor no dizer, um véu que enrola as ideias para as não deixar demasiado expostas às intempéries dos dias. 

Os dias constroem-se devagar. 

O Tejo reflecte o céu de Lisboa que, hoje, não me sorri ao descer o Parque contigo. Paramos, subimos, descemos, ziguezagueamos por entre uma das paixões comuns - livros. No meio de tantas palavras é difícil, às vezes, escolher as certas para reconstruirmos os dias que se cosem com linhas que vêm de passados, que não estou certa de querer trazer para o presente.

Olho para ti e o rio clareia por segundos numa nuvem que se afasta, como o nosso sorriso abraçado, de até depois, que ecoa em todos os livros por onde passo. Ainda agora nestas palavras que me permiti escrever, juro, consigo ler em cada uma delas o nosso sorriso.

Cresceste/emos tanto!

Liliana



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