quarta-feira, janeiro 02, 2013

Das palavras sentidas...

Embrulho os sentimentos nas palavras e arrumo-as nas gavetas do móvel do fundo.
Não sei que lhes fazer.

Nunca lidei bem com o silêncio, por isso, ver-me sem palavras, para dizer ou para ouvir, é um equilíbrio que mantenho em esforço.
Não sei o que fazer.

Vou varrendo os dias para dentro dum saco que guardo para mais tarde, quando todos dormem, rever o muito ou pouco calor que cada dia guardou.
Não sei onde o guardar.

Nas noites frias, tento dormir, mas as gavetas no móvel do fundo abrem-se e as palavras, livres, esvoaçam pela casa como fantasmas que assombram o quarto e me lembram que existem, estão ali, fechadas no móvel do fundo. 
Não sei o que lhes responder.

Há dias em que procuro letras que faltam para completar algumas palavras. Procuro por toda a casa, nos armários, debaixo da cama, no meio dos livros, até no móvel do fundo, com cuidado para não deixar sair as palavras e, num acto impensado ousar tocar um sentimento... 
Não sei se posso sentir.

Liliana



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