quinta-feira, novembro 03, 2011

Da corrente do rio...

Não quero contar sempre o mesmo conto, numa correria de caracol que nunca chega a sair da casca.

As palavras levam-me para longe, mas a maré acaba sempre por me devolver à mesma costa.
Procuro histórias de outras cores e tento, até, sorrir no meio de um turbilhão de águas revoltas onde não me encontro ao fim do dia.
Se não é o que me acontece que me define, porque não consigo lidar com o rumo do pensamento?

Não quero contar sempre o mesmo conto e, no entanto, vejo-me embrulhada num fio-condutor que me puxa sempre para a mesma estrada.

Olho o rio que me devolve um sorriso e um suspiro na maré.
Mergulho nas suas águas que me conhecem o corpo e os sentimentos bem demais para me disfarçar entre algas e conchas.
Sussurra-me "Não nades, não remes, não grites, não forces o rumo da água, deixa-te levar com a maré e aceita cada ilha, cada afluente, cada praia, cada porto, com os braços abertos. Não forces o rumo da água, que ela encontra sempre forma de passar os diques, por mais altos que sejam".

Não quero contar sempre o mesmo conto, por isso relaxo o corpo e deixo-me levar pela corrente.

Liliana


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