segunda-feira, agosto 29, 2011

...sozinha pela cidade.

Ela olhava de mansinho para o mundo. Com vontade de o embalar todo ao mesmo tempo, como quem pega num recém-nascido que, com falta da mãe, chora e procura um colo para tranquilizar o medo do abandono.

Ela sorria carinhosamente aos homens e mulheres, como quem sorri a uma criança que, assustada, precisa de um olhar cúmplice para acalmar.

Ela cosia bonecos de tecido com linhas de lã, como quem sara feridas com pensos e ligaduras, curando a pele e limpando o sangue para não tornarem a abrir.

Ela saía todas as manhãs bem cedo, para regar as flores, as plantas e as árvores da calçada, na esperança que mais rebentos florissem e o dia nascesse mais colorido.

Ela percorria as ruas da cidade à luz do luar, procurando pássaros caídos, cães abandonados, gente perdida, cuidando-lhes das asas, das dores, dos gritos silenciosos, enquanto os devolvia aos ninhos, mais quentes e acarinhados.

Ela olhava, embalava, sorria, acalmava, cosia, cuidava e acarinhava... sozinha pelas ruas da cidade.




Liliana
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