segunda-feira, junho 06, 2011

Párem!

Não quero deixar avançar o tempo.

Párem os relógios que me endoidecem com o tique-taque dos ponteiros!

Párem as horas que avançam sem pedir licença e me doem no peito como cintas que me apertam o coração!

Párem! Mandem calar os pássaros e as crianças que me lembram a alegria que não encontro neste monte de recortes, catálogo de onde devo escolher o caminho certo...

Párem! Não me peçam sorrisos que não consigo dar hoje, nem sei se amanhã.

Párem! Não me digam que os rios vão voltar a correr e as flores vão abanar nos campos com a dança do vento!

Párem! Deixem-me perceber onde estou, que mar é este que chorei, que forças me enviaram nesta barca...

Párem! Não virem as malditas ampulhetas, nem dêem corda aos relógios. Não toquem os sinos das igrejas nem anunciem as horas no rádio!

Párem! Não se afastem de mim para que não fique só, nem se aproximem muito que me assustam. Fiquem assim, à distância de uma mão, ao fundo de um olhar, porque eu não sei se consigo parar.


Liliana

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