segunda-feira, abril 11, 2011

Só posso dar o que é meu...

Eu tenho de ser EU...

Entender-me como personagem principal desta peça, quantas vezes desinteressante, que vivo todos os dias... e perceber-me, também eu co-responsável pelo guião. Pensar que se quero flores em vez de pedras, basta-me semear bolbos e regar os vazos.

Mas tenho medo... medo de ser EU. Medo de não saber o que é ser eu própria, escolher as sementes erradas, plantar fora da época e não recolher frutos.

Eu tenho de ser EU...

Seguir o meu caminho de acordo com as minhas escolhas livres, opções cautelosamente pesadas na balança do coração, que é onde se joga toda a tensão dramática do texto.

Por isso um dia decidi que regaria todos os vazos, os meus e os teus (que me lês), os de todos que se cruzam comigo e ainda alguns abandonados, vazos de ninguém.

Esta é a base, o palco, onde assento os pés e espalho palavras que, a todo o custo, revisto de sonhos e polvilho de esperança, enquanto sonho nas flores que nascerão por aí.

Mas às vezes é difícil... ser EU. E acreditar que o um mundo pode ser um pouco mais colorido, sabendo que eu sou a tal co-responsável pelo guião...

Liliana



"Fado da Tristeza"

de Manuela de Freitas e José Mário Branco

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