domingo, abril 03, 2011

Espera tempo, não corras....

Espera... disse-lhe ele enquanto ela o deixava de ver. Sentada, com os pés entrerrados na areia, ela esperou.

Esperou como esperara tantas outras vezes por tantos outros "espera", uns diferentes, outros parecidos, mas no final quase todos iguais, apenas uma eterna espera...

Enfiando os pés com força na areia ela levantou-se e foi buscá-lo. E ele veio, com calma, andando pela areia molhada como quem sempre estivera ali, pronto para avançar. Ao fim do dia, com o Sol a mergulhar no horizonte, ele fez-lhe uma festa e disse novamente: Espera...

Decidida a confiar que o Sol sempre se levanta depois da Lua se deitar, ela enroscou-se na toalha e esperou.

Fez castelos de areia, desenhou letras à beira-mar, mergulhou, e quando o céu se corou dum laranja rosado, aguentou o mais que pôde até que começou a ficar inquieta. Viria? Saberia o caminho de volta? Quereria voltar?

Um enorme remoinho de perguntas misturado com as lembranças de outros finais-de-tarde fizeram-na partir num sobressalto.

Mais uma vez não conseguira desligar-se do seu tempo interno que corria tão mais depressa que o dos outros.

Ele voltara, sempre, com a mesma tranquilidade com a mesma calma. Mas o tempo dela que corria, voava, palpitava dentro dela com tanta urgência...

Aos poucos ela foi esperando mais um pouco, mais um pouco e ainda um pouco mais... Mas sempre que o Sol, beijando o mar, corava o céu, apertava-se-lhe um nó no peito enquanto que o tempo, o seu, o interno, corria, voava, palpitava e ela esperava que ele não perdesse o caminho de volta...

Liliana