quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Vem navegar no silêncio do meu rio, Alberto...

Trago em mim um imenso rio que corre, sempre silenciosamente, em direcção a um mar que desconheço. Sorrio e choro, invento, sempre que coro, se me exponho ou me embrulho, de cada vez que, intencionalmente, me mostro e dispo, é na foz desse silêncio que me encontro, e depois de tanto barulho que luto por não ver, te procuro.

Trago em mim um silêncio que segue nas águas do meu rio. Silêncio gelado que corta e queima no frio absoluto dum abismo que é foz, manhã velada, nevoeiro escuro, onde me perco e grito, sem voz, os medos que ali nadam e, em mim desaguam.

Chegaste um dia, ao entardecer quando o céu está laranja e as nuvens rosadas, vieste numa barca trazida por um vento que falava de mar de sol de praia e, num abraço tranquilo, silenciaste-me os medos.

Ensinas-me a ouvir as águas deste meu rio, e no silêncio do seu leito deixar os medos navegar. Ensinas-me a esperar pelos tempos, que atrás de outros hão-de vir, e nas margens depositam sentimentos histórias momentos, que em forma de palavras poemas e canções pedem para ser vividos.

Procurei uma noz para no rio te acompanhar, e dentro dela me aventurei nas águas, ora revoltas ora calmas, ora sentidas ora esquecidas, ora amedrontadas ora aventureiras... e percebi que os medos me espreitam, de quando em vez me assustam, às vezes me soltam e me deixam voar, planar num mundo feito de tudo e de nada, onde afinal o importante é mesmo, navegar, navegar....

Liliana


Com "O Tejo é o mais belo rio" de Alberto Caeiro como pano de fundo.

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