segunda-feira, agosto 03, 2009

Parabéns Zeca!

Zeca, ajuda-me a dizer-lhes da utopia. Dá-me as palavras certas, para contar-lhes da cidade onde respira, vivo, o sonho e a magia. Ensina-me o cântico verdadeiro para mostrar-lhes que é o nosso coração, com sinais de fumo, que orienta a nossa rota.

Eu sei Zeca, que o partilhar desse sonho é, também, o sentido do meu caminho. Eu sei Zeca, que o contar dessa história é, também, o vôo da minha gaivota. Eu sei Zeca, que o cantar dessa utopia é, também, parte do meu desafio.

Deixa-me dizer-te Zeca, que o meu conto parte de partes do teu canto. Deixa-me contar-te, que a minha história começa algures nas tuas. Deixa-me cantar-te a canção da minha utopia que, no fundo, rima sempre com a tua.

A força do sonho, o acreditar da utopia, o peso da palavra, a liberdade do canto, são pedras com que construo os redondos vocábulos que, a mim, me levam "lá para os lados do oriente"...


Liliana Lima





"Era um redondo vocábulo
Uma soma agreste
Revelavam-se ondas
Em maninhos dedos
Polpas seus cabelos
Resíduos de lar,
Pelos degraus de Laura
A tinta caía
No móvel vazio,
Congregando farpas
Chamando o telefone
Matando baratas
A fúria crescia
Clamando vingança,
Nos degraus de Laura
No quarto das danças
Na rua os meninos
Brincando e Laura
Na sala de espera
Inda o ar educa."

"Redondo Vocábulo" - Zeca Afonso
in "Venham mais cinco"

(Se fosse vivo, Zeca faria ontem, dia 2 de Agosto, oitenta anos)
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