domingo, janeiro 11, 2009

Sonho de uma tarde de verão...

Esta noite sonhei com um monte alentejano, pintalgado por ovelhas e cabras com uma casa branca no alto...

Sonhei que estava numa sala ampla com uma lareira, iluminada por um radioso Sol em tons quentes, que respirava imaginação. Um pouco por todo lado, grandes almofadas coloridas estavam povoadas por gente alegre, com vontade de viver e muito espírito criativo. Eu levitava pelo meio de grupos que, mais ou menos organizadamente, vasculhavam nos seus passados, espreitavam os seus sentimentos e, despreocupadamente plagiavam os seus autores preferidos... enfim, penso que inventavam histórias!

Lá fora, num terraço magnífico com vista para um céu estrelado que só o Alentejo nos desvenda, outros (ou os mesmos, não sei bem) grupos de gente bonita abriam, sem pudor, a janela aos seus corpos, deixando-os contar histórias que nem os próprios se lembravam que traziam consigo.

Lembro-me de um pôr-do-sol imenso que, ao contrário de escurecer, encheu de luz todos os personagens dessa tarde. Entre cheiros, sabores, sons e texturas, a brisa quente da terra e o lusco-fusco do fim de tarde deram à luz novos contos partilhados na tranquilidade de uma comunhão serena com o mais íntimo de cada um.

Antes de acordar, peguei cuidadosamente em cada palavra, movimento, sorriso, sentimento, vibração, olhar, partilha, descoberta, gesto, brilho, reflexo... e, com muito cuidado, embrulhei-os num lenço que trazia no cabelo. Aquele era o fruto de um sonho partilhado por quantos os que lá estavam e, por isso, todos fizeram o mesmo. Protegemos e embrulhámos o sonho de cada um e antes de nos virmos embora, temendo que a partida de alguma forma o sufocasse, no alto do monte, largámos amarras e deixámos voar o "pássaro da alma" como se fosse o "último dia das nossas vidas"...


LL Julho/2008

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"Sonhei que estava um dia em Portugal

À toa num Carnaval em Lisboa

Meu sonho voa além da poesia

E encontra o poeta em Pessoa


A língua míngua e a língua Lusitana

Acende a chama e a palavra luzia

Na via pública e em forma música

Lúzia das lusíadas, lúzia!"


"Sonhei que estava um dia em portugal" de Morais Moreira

(Cantado pela Cristina Branco em Ulisses)

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