terça-feira, dezembro 02, 2008

Lisboa para Eugénio

(Com um grande abraço à Vanda...)

Lisboa, sabes que eu sei que a solidão em ti contagia, propaga-se e estende-se até ao rio descalça e leve como erva daninha…
Lisboa, sabes que eu sei porque te desço os degraus e te conheço as mágoas esculpidas nas rugas finas que apenas o luar ilumina.
Sabes Lisboa? Eu sei também que o vento súbito que vem do castelo e se espalha pelas sete colinas é um suspiro de saudade.
E eu sei que tu sabes Lisboa, que suspiro contigo…

LL 19-Abril-2006




"Alguém diz com lentidão:
«Lisboa, sabes...»
Eu sei. É uma rapariga
descalça e leve,
um vento súbito e claro
nos cabelos,
algumas rugas finas
a espreitar-lhe os olhos,
a solidão aberta
nos lábios e nos dedos,
descendo degraus
e degraus
e degraus até ao rio.

Eu sei. E tu, sabias?"


Eugénio de Andrade (Coração do Dia)
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