terça-feira, novembro 11, 2008

Lisboa não é a cidade perfeita

Porque, por muitas voltas que demos, por muitos caminhos que encontremos e percorramos, ainda que, por vezes, nos percamos... voltamos sempre a casa. Voltamos sempre à nossa casa...

E quando voltamos, entramos devagar, olhamos em volta e reconhecemo-nos em cada canto desarrumado, em cada esquina esbatida, em cada ruga esquecida, em cada mágoa sentida, em cada sorriso deixado ao acaso em cima de uma prateleira...

Entramos devagar para nos reconhecermos, para sentirmos que estamos em nossa casa, aconchegamo-nos e sorrimos, aqui somos sempre bem-vindos!

Voltei à casa das letras que me levam pela mão, me fazem sonhar, me embalam, mas que não cabem noutro lugar senão aqui, na casa da curva das minhas letras...

Por agora, deixo aqui um poema cantado pelos Deolinda, em que no outro dia tropecei e que desde aí não mais me largou, porque tantas vezes me apetece "um dia juntar-me a ela"...

"Ainda bem
que o tempo passou
e o amor que acabou
não saiu ...
Ainda bem
que há um fado qualquer
que diz tudo o que vida
não diz ...
Ainda bem
que Lisboa não é
a cidade perfeita
para nós ...
Ainda bem
que há um beco qualquer
que dá eco
a quem nunca tem voz...
Ainda agora vi a louca
sozinha a cantar
do alto daquela janela ...
Há noites em que a saudade
me deixa a pensar
um dia juntar-me a ela,
um dia cantar como ela ...
Ainda bem
que eu nunca fui capaz
de encontrar a viela
a seguir ...
Ainda bem
que o Tejo é lilás
e os peixes não param
de rir...
Ainda bem
que o teu corpo não quer
embarcar na tormenta
do meu ...
Ainda bem ...
Se o destino quiser
esta trágica história
sou eu."
Pedro da Silva Martins
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