sexta-feira, julho 28, 2006

Silêncio! Que se cantou o fado...


Foi ontem no Castelo de Monsaraz o início da tournée de Mariza... e que início!
Para quem (como eu) não pôde lá estar a Antena 1 emitiu em directo o concerto numa noite que, segundo Armando Carvalheda, foi "perfeita não fosse o vento que teimou em aparecer" e, mesmo sem convite, se fez notar aqui e ali na transmissão.
Dos músicos "os meus amigos" como a fadista os apresenta, esperamos sempre o melhor e, comme d'habittude, foi com o melhor que nos brindaram. Do público ouvimos vozes afinadas e sempre solícitas às provocações da fadista. Do "alinhamento" cantado, todas as músicas poderiam ser realçadas, todos os poemas deveriam ser escolhidos e assinalados.
A Mariza, não sei se fruto do avançado da hora ou se por pura telepatia, aquela voz poderosíssima, quase irreal, teve o poder de me teletransportar para dentro das muralhas do Castelo de Monsaraz, pois se afirmar que consegui ver claramente a sua figura esguia ondulando pelo palco ao sabor dos ritmos cantados, não estarei de forma alguma a mentir...
Aqui ficam as letras de Fernando Pessoa, com as curvas que Mário Pacheco musicou mas só Mariza sabe entoar:
"Há uma musica do Povo,
Nem sei dizer se é um Fado –
Que ouvindo-a há um ritmo novo
No ser que tenho guardado…

Ouvindo-a sou quem seria
Se desejar fosse ser…
É uma simples melodia
Das que se aprendem a viver…

Mas é tão consoladora
A vaga e triste canção…
Que a minha alma já não chora
Nem eu tenho coração…

Sou uma emoção estrangeira,
Um erro de sonho ido…
Canto de qualquer maneira
E acabo com um sentido!"
Fernando Pessoa
No fim do concerto, ficou a "saudade do futuro" de quem aguarda ansiosamente o lançamento em DVD do Concerto de dia 6 de Setembro de 2005, no Jardim da na Torre de Belém com a presença de Jaques Morelenbaum e a Sinfonieta de Lisboa e aquele gosto acre que o FADO nos deixa na boca.
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