Sabes da vida secreta que se esconde atrás dos sorrisos?
Das cordas que torcemos à força das relações com quem nos cruzamos?
São jogos de faz-de-conta que nos desgastam e se gastam em palavras escolhidas a peso de ouro no tabuleiro das conversas "importantes ou ambíguas".
Eu sei que sabes, ainda que não te apeteça dizê-lo.
É que esta coisa da desdita que nos disseram que não se diz, é muito pouco elegante.
Não se tiram selfies com 'auto-desnarrativas' (que não é a mesma coisa que "o fado da desgraçadinha").
Nem se fazem post's com a fórmula oculta dos textos que, "aparentemente sem moralizar", demoramos horas a construir com o simples intuito de simplesmente manter as aparências.
Sabes que há todo um mundo oculto em redor de tudo o que efectivamente aparenta ser perfeito (ou quase).
É o Abacate e a Meditação, a Granola e a Respiração, o Tofu e a Absolvição...
Mas se escutares mesmo a sério com ouvidos de ouvir, as conversas "imponentes ou inequívocas", vais descobrir os refúgios e subterfúgios com que pintamos os olhos e delineamos os lábios dos sorrisos.
Eu sei que sabes, "efectivamente sem moralizar"...
Quem são as palavras que se deitam contigo? Cuidas de as beijar, despir, embalar? Arrumas a cabeceira do seu lado antes de as chamares? Quem são? Quando acordas e te sentas ao pequeno-almoço? Quando te obrigas a fazer exercício, arrumar a cama, a vestir, arranjar, pentear... apenas para tornar a ficar? Quem são as palavras que te acompanham? Quando escreves, (porque agora escreve-las muito mais do as dizes) quem são as palavras que guardas no cesto dos afectos? Cuidas de as escolher como se frutos numa árvore ao Sol? Tens o cuidado de as limpar antes de as usar? Lembras-te de as medir e pesar como se faz aos bebés de colo? E quando elas crescem, veste-las com a roupa certa? Conta-las antes e depois de cada conversa? Tomas conta de todas e cada uma para que não te fujam? Quando amas, quem são as palavras que usas como braços, lábios, corpo, prazer? Como escolhes as palavras para te dizer ofegante, corando, suspirando? Não te esqueças de as aquecer com a tua vontade. Consegues segurá-las sem as oprimir? Quem são as palavras que te libertam?
Quem são? Quando te zangas e perdes a paciência? Quando te sentes só, (porque o estamos, todos nós, mesmo se juntos em família) triste, sem ânimo, com pena de ti? Quem são as palavras que te acompanham? Para cada palavra há um sem número de significados, uma miríade de idiossincrasias, uma capacidade espantosa de conjugações. E tens o poder de as escolher a cada frase. Sem nunca esquecer que a palavra escrita tem muito mais peso do que a dita. Agora que estamos longe. Que nos vemos apenas em pequenos ecrãs. E nos comunicamos principalmente por escrito. Quem são as palavras que se deitam contigo?... Liliana Lima
Não conheci o José Mário Branco. "Zé Mário" é como lhe chamam os amigos, que hoje parecem ser todos, é verdade, mas para mim foi sempre 'O' José Mário Branco.
Não o conheci? Se calhar sim... Quer dizer, o homem, o pai, o avô, o vizinho... na verdade não (com uma certa mágoa, posso dizer, agora que já não faz diferença nenhuma). Mas o poeta, o músico, o cantor, o exemplo, a ideologia, a luta, a força, a voz, o poeta, o cantor, o músico...
Porra, José! O tanto que aprendi contigo desde que, tão cedo, te comecei a ouvir!
O tanto que conversei e cantei contigo desde que, tão cedo, te conheci. Não foi, José?!
O tanto que descobri nas tuas letras...
Porra, José! Canções que me despem palavra-a-palavra desde que me sei quem sou. Como é isso José?!
Sem nos conhecermos. Nem nos cruzarmos, nos tantos cruzamentos em que tão perto fomos estando... Como é isso, José?!
O tanto que aprendi na força da tua interpretação. Estar lá todo, a cada nota, a cada frase. Porque a cantiga é uma arma, não é José?!
Sempre disse que, de uma forma impossível, tu me conhecias melhor que muita malta que de muito perto conviveu comigo...
Disse eu, e aposto que milhares de outras almas que te conheceram, como eu, no gira-discos e nas cassetes.
É que, tu não sabes José, mas eu guardo as tuas palavras dentro de mim. Contam-se comigo, da cabeça aos pés. Porque tudo depende da raiva e da alegria, não é José?!
Acho que é aqui que nos continuaremos a encontrar, com o tanto que temos para nos dar. Não achas, José?!
É que mesmo não te conhecendo, José, estou (eu e aposto que milhares de outras almas) a tentar fazer desta perda uma raiz, assim, por sobre a tua morte. Como em canções, mesmo sem quereres, me (nos) ensinaste.
Mas já que estamos a conversar, aqui que ninguém nos ouve, acho que se cá estivesses, de viva voz, era capaz de te ouvir dizer qualquer coisa do tipo... É pá, continuem a cantar-me, continuem a lutar, mas já agora vão ter com a malta que ainda está viva enquanto estão vivos, porra!...
Não conheci o José Mário Branco (com uma certa mágoa, posso dizer, agora que já não faz diferença nenhuma) ou talvez tenha conhecido... Quer dizer, o homem em si, não. Mas o homem que vive para sempre no legado que nos deixa, sim. E a esse digo:
E quando acordamos para o facto de estarmos a ser/fazer grande parte das coisas que tão convicta e repetidamente dissemos, noutras ocasiões e representando outras personagens, para os nossos amigos não fazerem... Comunicar com o que, de um dia para o outro, parece ter-se transformado no "outro lado da barricada", não é fácil. E pouco se pode fazer para mudar. Resta-nos a esperança que o tempo, a seu tempo, lime as arestas e deixe correr o ar. Do alto da minha alta janela, a vontade que sinto crescer dentro de mim, é de escrever pequenos papéis coloridos, enrolar cada frase e lançá-las ao vento. E não ter, tão cedo, que confrontar esse conflito latente que (ainda) não se pode amainar. E o mais engraçado é que acredito mesmo que, pelo menos algumas das frases, chegariam, ao destino. Amachucadas claro, mas menos confusas e quem sabe menos sujas das interpretações e subjectividades de cada um, tanto emissor como receptor. Sei também que te tiraria a responsabilidade de acartar com o peso que cada recado acarreta. E te tiraria do meio deste diálogo mudo, onde o teu e os vossos personagens devem ser o mais omissos possível. Não te aceno com uma perfeição que sei não conseguir encontrar dentro de mim. Mas prometo que tentarei arranjar a forma certa, ou pelo menos a mais eficaz, de comunicar com "esse lado" que durante tantos anos foi também o "meu" lado. E que, por acaso do destino, hoje é onde tu estás. Se acaso algum dia me esquecer e tentar, fugindo ao confronto, entregar-te correspondência alheia, devolve sem medos ou hesitações, ao remetente. E lembra-me o que te contei: "as palavras estão gastas"(*). Com muito amor, Mãe
(*) "Adeus" de Eugénio de Andrade In Poesia e Prosa
O Sol entra,
Deita-se
Na cama
E conta-me
Do mar e das ondas
Que oiço
Desaguar na areia.
Tu cantas
Com o vento
Que faz abanar as canas.
Procuro
As palavras
Certas
Para espelhar
O tanto que quero contar.
Tu cantas,
Com a gaivota
Que rasga o céu,
Uma canção
De embalar.
E eu deito-me
Com o Sol
Que vejo entrar, invadindo
A cama,
Onde te vou encontrar
Também.
E, nesta tarde calma,
Deixo-nos
Ficar.
Que sabes das mensagens vazias que chegam à praia em bonitas garrafas vestidas de festa? Conheces-lhes o cheiro demasiadamente forte e as cores para lá do berrante? Já ouviste o enorme silêncio que lhes habita as palavras, tão gastas de nada dizer? Que sabes do lamento que vive nos búzios escondidos no meio das pedras do molhe que protege a praia? Já o viste dançar sozinho nos reflexos com que a lua pinta o mar depois do pôr-do-sol? Conheces-lhe as palavras tão gastas de tanto ecoar as suas mágoas ao luar? Que sabes das mensagens que, em silêncio, são lançados ao mar e dentro de um simples olhar percorrem mares e marés até darem à costa no outro lado do horizonte? Já lhes sentiste o rasto, perceptível apenas aos que um dia já lançaram, eles próprios, as suas mensagens ao mar? Algum dia te cruzaste com as complexas palavras que as compõem, que rimam sempre com amor e que, dizem, são cantadas em noites de lua nova, em uníssono, por sereias encantadas e trovadores enamorados? Que sabes do tanto que traz este mar?... Liliana Lima
Há sempre o dia depois Há sempre a manhã seguinte que tráz na aurora os cheiros os sons os movimentos que nos levaram até... ao dia depois Há sempre o amanhã de tudo o que fomos ontem em sintonia ou não em paz ou exaltação Há sempre o depois daquilo que se segue e todas as palavras que com ele rimam E a esperança que o hoje espere por este dia que é também amanhã Há sempre a palavra que vem Há sempre a escolha de dizermos ou não como chegámos o que demos quanto recebemos para tentarmos chegar até... à palavra que vem Há sempre o amanhã de tudo o que fomos ontem em sintonia ou não em paz ou exaltação Há sempre o depois daquilo que se segue e todas as palavras que com ele rimam E a esperança que o hoje espere por este dia que é também amanhã Há sempre a espera Há sempre o silêncio que nos pára em frente do espelho do ontem da dúvida de como agir até... superar a espera Há sempre o amanhã de tudo o que fomos ontem em sintonia ou não em paz ou exaltação Há sempre o depois daquilo que se segue e todas as palavras que com ele rimam E a esperança que o hoje espere por este dia que é também amanhã Liliana Lima
Do tanto que fomos e construímos Levo os vestidos, dos dias claros junto ao Tejo Levo os sonhos, três vezes saídos de mim e embalados a dois Levo os sapatos, os vermelhos com que bati os calcanhares E deixo as lágrimas, deixo os pilares que mantêm a casa, que construímos Do tanto que fomos e construímos Levo os casacos, de Inverno que lá fora está frio Levo todos e cada sorriso que partilhámos, à mesa da cozinha Levo os livros, partes de mim de que não consigo separar-me E deixo as angústias, deixo arrumada a casa, que construímos Do tanto que fomos e construímos Levo o blush, o baton e o rímel preto Levo a cumplicidade, partilhada numa troca de olhares Levo os CD's, da música que se canta dentro e fora de mim E deixo o silêncio, deixo o desencanto intruso nesta casa, que construímos Do tanto que fomos e construímos Levo as plantas que aprendi a cuidar Levo o carinho servido num tabuleiro, numa manhã de domingo Levo as malas, umas dentro das outras, as grande e as pequenas E deixo as discussões, deixo as palavras amargas que ecoam na casa, que construímos E deixo os quadros e as panelas Deixo os sofás e os candeeiros Deixo as televisões e os pratos Deixo as estantes e as fotos nas paredes Agora que abro a porta para sair Guardo as noites e os beijos Guardo os jantares e almoços a dois Guardo os cheiros e os sabores Guardo os recortes e as memórias Dum amor que nasceu, cresceu e deu frutos E, gradual e compassadamente, saiu pelas janelas e desaguou no Tejo Que o levou nas suas águas e, tenho a certeza que agora Agora que abro a porta para saír "o mar / tem mais peixinhos a nadar"
O que escrevo é triste? Escrevo mais amargura que alegria? É possível Sempre que o que sinto assim o é Não sei escever "alegrias de encomenda" Cada palavra é arrancada de mim E carrega em si tanto quanto o que sou Sei descrever sorrisos e o som das cantigas Sei contar risos e dizer o colorido das flores Sei narrar gargalhadas e apagar sombras Sei escrever A L E G R I A ou F E L I C I D A D E Porque também as sei sentir
Mas mais depressa visto o que não sinto, do que escrevo o que não sou Porque a palavra, a palavra escrita, perdura e ecoa Numa leitura que nos fotografa e emoldura para sempre
Por isso, talvez o que escrevo seja triste Ou mostre mais ansiedade do que felicidade Na verdade, nada posso alterar Escrevo com tudo o que sou Só posso escrever o que é meu Liliana Lima
Não cantes alegrias a fingir Se alguma dor existir A roer dentro da toca Deixa a tristeza sair Pois só se aprende a sorrir Com a verdade na boca
Quem canta uma alegria que não tem Não conta nada a ninguém Fala verdade a mentir Cada alegria que inventas Mata a verdade que tentas Pois e tentar a fingir
Não cantes alegrias de encomenda Que a vida não se remenda Com morte que não morreu Canta da cabeça aos pés Canta com aquilo que és Só podes dar o que é teu José Mário Branco in Ser Solidário 1982
Deixei de te dizer de mim
Da falta de vontade
de contar, sequer
E do caos instalado no fim
de tantos dias em que
em vez de descansar
me obriga a revirar o mundo interno
que se queria encerrar na concha
deitada ao mar
Porque demora a explicar
(e a entender...)
Porque cada palavra,
soletrada,
no seu mais baixo volume,
um dia, uma tarde,
uma noite qualquer
Será virada do avesso,
despida, interrogada e,
sempre sem querer,
rejeitada, incompreendida
fechada
Porque é este o signo
da loucura
trazermos em nós a semente
da mais pura clarividência
e com ela a sua irmã solidão
É que é não é possível
a (sobre)vivência
ao comum espectador, são,
aos maleficios da realidade
nua e crua
E por isso hoje,
esta noite pelo menos,
deixarei de te dizer de mim
Para que, em paz, possas dormir
por fim
Como sabes que sabes o que sinto?
Onde vais buscar a certeza de que é verdade o que digo?
Porque fazes da minha palavra a minha verdade?
Quando sentes em ti a presença, longínqua, do meu querer?
É assim...
É mesmo aí...
É exactamente por isso...
E, precisamente, nesse momento...
Sei do frio branco que rasga a pele e corta o suspiro, branco e doce que se quer
Sei da estrada cheia de curvas que derrapam com o gelo e fogem do mapa e nos deixam sem ver o caminho para o futuro
Sei do vento que congela o sangue nas veias e proíbe os movimentos e cala as palavras nos lábios fechados, prolongando silêncios enregelados
Sei das árvores cobertas por mantos brancos por baixo dos quais se aquecem as paixões enquanto não chega a Primavera
Sei das flores que se escondem dentro da terra fértil, e germinam devagar os sentimentos que mais à frente, acredito, irão florir em mil cores
Sei do frio branco que rasga a pele e corta o suspiro, branco e doce que se quer...
E tu, sabes?
Nunca me escreveram poemas de amor Uma carta passada por entre as mesas da sala de aula Um postal deixado na secretária Um ramo de rosas vermelhas entregues à porta... Mas nunca um poema de amor
Eu já escrevi algo parecido com poemas de amor Aliás, quase tudo o que escrevo é um poema de amor se o souberes ler, entenderás que o é, meu amor
É que a palavra AMOR não se diz na correria das horas É feita dum cristal tão fino como o teu olhar, quando me olhas de perto, quase de dentro A palavra AMOR, meu amor, é feita de muitas histórias que se contam em todas as ruas e em todos os fados e embora se pareçam iguais, são únicas e irrepetíveis
Nunca me escreveram um poema de amor E agora que penso nisso, nem sei o que faria para o agarrar
É que o poema tem em si a força de todas as marés que se elevam nos oceanos ou se estendem na areia E o peso absurdo de todos os luares que beijam a Terra e iluminam cada história E a palavra, quando cantada, como poema, torna-se fogo ou ventania, medo ou alegria
Nunca me escreveram poemas de amor Nunca me disseram AMOR, assim com todas as letras e por escrito, que tem sempre uma força maior do que o dito Se um dia me escreveres um poema de amor, meu amor, que seja alegre e suave, doce e leve se diga, "cantando a toda a gente" e se espalhe pelo mundo, assim, num vôo livre de andorinha que abraça o céu azul e nele escreve, dançando leve e inquieta, a nossa canção, AMOR Liliana Lima
Disse ela, assim, tão só, sem mais nada, nem mesmo pontuação, através do teclado do
telefone.
Ela que escrevia tanto, escrevia tudo, o que sentia e como sentia, que descodificava as
figuras de estilo só para ter certeza que era entendida. Dando-se em escrita, como afinal sempre sonhara dar-se. Deixava cair, com grande estrondo, a mensagem. Sem
enquadramento nem explicação.
Ele já a conhecia tão bem! Sabia-lhe o estado de alma às primeiras letras. Ouvia as
entrelinhas, mesmo as que não conseguia interpretar. Saboreava-lhe o humor algo
apimentado. Sentia-lhe a inquietação a subir em flexa. E dispensava explicações ou
esclarecimentos. Lia-a em cada palavra, que sabia ter sido prepositada e muitas vezes
inusitadamente escolhida, para aquela posição naquela frase.
Ele em silêncio sem ter certeza de como a ler. Ele, desta vez, à espera do resto, dos verbos que nem existiam, dos adjectivos, um ponto de interrogação, exclamação, um ponto apenas.
Eles que desde há tanto tempo gastavam as palavras sem nunca as desperdiçar pela rua. Eles que já eram nós. Um nós nascido e criado numa narrativa que era muito mais do que a soma das de cada um. Eles à espera, em silêncio, do ecoar morno a que as suas palavras os habituaram.
Ele pega no telefone e arrisca,
- Olhos-nos-olhos?
E recebe de volta um simples e singelo,
- Sim.
Num segundo um oceano de imagens, construídas por expressões e figuras de estilo, percorreu todo o corpo dele. Recortes dela projectados dentro de si. Do quanto escreveram até a conhecer ao ponto de a saber saborear, intuir, antecipar, alegrar e até entristecer, palavra-a-palavra.
Mas “olhos-nos-olhos” as palavras ganham outras dimensões, vestem-se de outros
significados. E ele sentia-se bem assim. Gostava dela assim. Desejava-a assim. Nesta
narrativa partilhada, em que cada um se escrevia tão mais profundamente do que em qualquer vulgar relação dependente dos sentidos. Aliás, quanto mais olhava para o ecran do telefone, mais certeza tinha que não queria pôr em risco os riscos com que a escrita a desenhara no seu imaginário.
Não, eles que em narrativa se tornaram nós, não precisavam dos olhos para se ver. Esta narrativa escrita ao longo dos anos, e já lá iam quase quatro, estava muito além do estar. Porque o sentir, esse, vivia intinsecamente em cada palavra que se escreviam.
Decidiu, por fim, quebrar o silêncio gélido que os separava, com um simples e singelo,
Olho-te de tão longe... Sinto-te em cada palavra Vejo-te em cada letra Oiço-te em cada espaço Olho-te de tão longe, De repente tão perto nesta singela frase "Também gosto de ti" E a lua, cheia, que ilumina a distância A trazer-me o silêncio da suspresa repetida A cada vez que te leio Olho-te, assim, de tão longe Nas palavras que cheiram a ti Nas frases a que me agarro para chegar aí Onde me dizes que gostas de mim Olho-te daqui, onde A lua te traz em tudo o que escreves A distância encurta e ilumina o sorriso E a surpresa se repete e ecoa na noite Olho-te de tão longe E sei-te tão perto... Liliana