Mostrar mensagens com a etiqueta rio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta rio. Mostrar todas as mensagens

domingo, junho 05, 2022

às VÊzes

Às vezes o 
reflexo é 
mais 
nítido do 
que o real 

A realidade 
espelha o 
sonho ou 
sonhamos 
realmente? 

Somos 
únicos e
irrepetíveis ou
duplicados
espalhados na
ondulação?

Às vezes o
reflexo é
mais nítido do
que o real

Pergunto ao
espelho se
o branco que
reflete é
meu 
ou dele

Devolve(-me) em
matizados de
Sol que brilham
nas águas do
rio

Às vezes o
reflexo é
mais nítido do
que o real


Liliana Lima

domingo, maio 15, 2022

saIR DE TI

Sair de ti sem te trazer comigo
Não sei como te ver sem nos olhar
pelo espelho da memória no postigo
que abrimos e não consigo fechar

As faces da Lua continuarão a mudar
e os dias seguirão sem olhar para trás
Há caminhos e casas que construímos
em vidas tão dispares vividas em uníssono
numa distância oca que nos separa 

Passo em revista os anos passados
e vejo-nos diferentes (por fora, pelo menos)
Invadem-me imagens desarrumados
que me levam numa viagem atribulada
por lençóis brancos amachucados
 
Sair de ti sem te trazer comigo
Não sei como te ver sem nos olhar
pelo espelho da memória no postigo
que abrimos e não consigo fechar

Há pontes antigas que teimam em não ruir
mas os barcos já foram para novas paragens
num movimento lento de aparente abandono
E o rio, esse, corre beijando outras margens
seguindo as marés comandadas pelo luar

Sei-nos dois, distantes, num agora afastado
caminhando e andando em sentidos diferentes
Oiço o silêncio demorado que agora nos une
rasgado por uma ou outra palavra escolhida
que nos deixa num limbo oco e impune   

Sair de ti sem te trazer comigo
Não sei como te ver sem nos olhar
pelo espelho da memória no postigo
que abrimos e não consigo fechar   
 

Liliana Lima



segunda-feira, fevereiro 04, 2019

TEjo

Quantos pôres-do-Sol te vi beijar 
Quantos fins-de-tarde passeei ao teu lado 

Hoje não acordo contigo
Como muitos anos, há muitos anos

Hoje vejo-te o nascer do Sol pintar as águas
E com ele aprendo a reconstruir os abraços 
Semi-cerro os olhos e revejo a esperança 
Sorrio-te e renovo as palavras
Doces


Liliana Lima 



domingo, abril 29, 2018

fecha os OLHOS

Fecha os olhos para que se apague a luz e tudo o que parece possa ser.

Acende uma vela ao fundo para que o que é se possa mostrar.

Aproxima-te e, baixinho, junto do meu ouvido, diz-me as inverdades que conseguires manter como certas.
Aqui onde as formas dançam ao ritmo da luz da vela, tudo parece tão mais simples! O meu corpo que se entrega ao teu sem inibições ou medos. O mundo inteiro que fechamos fora da porta. E a cumplicidade entre o que é e o que apenas parece ser.

Fecha os olhos para que se apague a luz e deixa que acredite nas fadas da noite.

Mas amanhã, de olhos abertos e corpos vestidos, não deixes que o que é seja apenas o que parece.
Amanhã, na luz do dia, diz-me a cor do rio e a força do mar, por muito que não o queira ouvir.

E depois não te preocupes, haverá sempre um espaço onde, de olhos fechados, deixaremos que, o que parece possa ser.

Lili


sábado, outubro 14, 2017

COR.tina

Abri a janela em vez da porta, na esperança de controlar a entrada das águas do rio que se adivinham. A medo, puxei a cortina meia desfeita, feita em farrapos, e tentei desviar o tanto tempo que passou para te ver chegar.

O rio galgou as ruas e calçadas e entrou de rompante por mim dentro. Acalmei a respiração, para não me afogar e impedir outras dores de me cegar. 

Avisaste que vinhas e anunciaste o teu chegar. Pediste que te sentisse e, "como sempre, como antes" não te soube negar. 

Chamaste-nos futuro e eu dei-te o presente. 

Abro a janela em vez da porta para não deixar sair a água enquanto, devagar, vou até ti. O rio corre no leito onde o amor se faz. Acalmo a respiração para não o gritar, mas sussurro que estou a chegar.

A medo, fecho a cortina meia desfeita, feita em farapos pelo tempo que passou, para marcar o tempo que ainda agora começou.

Liliana

   

segunda-feira, outubro 31, 2016

faRoL

Quando se agitam as águas
e as ondas rebentam nas rochas
Quando o leito se enche 
e rio galga as margens 
Quando o grito se afoga
e a corrente me puxa para o fundo
Quando sou eu mesma 
a nascente do rio
Quando se alaga o sentir
e se molham os olhos
Quando nado em circulos 
e não saio de onde estou
Quando sem vento, as velas
frouxas não me levam daqui
Quando a maré alta
me salga as certezas
Quando a Lua se apaga
E o mar escurece

Quando te digo tudo o que não te sei dizer
Quando sinto no peito um oceano de receios
Quando perco o pé e me encontro à deriva

Fecha as barragens e contém-me em ti
Lança a bóia e puxa-me para ti
Solta a âncora para que não me afaste de ti
Acende o farol para que não me perca de ti

Liliana Lima