Com "Eu vim de longe" de José Mário Branco
como pano de fundo
terça-feira, fevereiro 01, 2011
Onde, José?
sábado, janeiro 29, 2011
Vem devagar, Sérgio...

"Quando/ tu me vires no futebol/
estarei no campo/ cabeça ao sol
a avançar pé ante pé/ para uma bola que está/ à espera dum pontapé
à espera dum penalty/ que eu vou transformar para ti
eu vou/ atirar para ganhar
vou rematar/ e o golo que eu fizer/
ficará sempre na rede/ a libertar-nos da sede
não me olhes só da bancada lateral/ desce-me essa escada e vem deitar-te na grama
vem falar comigo como gente que se ama/ e até não se poder mais/ vamos jogar
Quando/ tu me vires no music-hall
estarei no palco/ cabeça ao sol/ ao sol da noite das luzes/ à espera dum outro sol
e que os teus olhos os uses/ como quem usa um farol
não me olhes só dessa frisa lateral/ desce pela cortina e acompanha-me em cena
vamos dar à perna como gente que se ama/ e até não se poder mais/ vamos bailar
Quando/ tu me vires na televisão
estarei no écran/ pés assentes no chão
a fazer publicidade/ mas desta vez da verdade/ mas desta vez da alegria
de duas mãos agarradas/ mão a mão no dia a dia
não me olhes só desse maple estofado/ desce pela antena e vem comigo ao programa
vem falar à gente como gente que se ama/ e até não se poder mais/ vamos cantar
E quando/ à minha casa fores dar
vem devagar/ e apaga-me a luz/ que a luz destoutra ribalta
às vezes não me seduz/ às vezes não me faz falta
às vezes não me seduz/ às vezes não me faz falta"
sábado, janeiro 22, 2011
Anda inventar realidades comigo, Clarice...
E espalho as palavras ao vento sonhando que, quem sabe, um dia num planeta distante um ser diferente me encontra, por entre os silêncios que afinal grito no desequilíbrio das rimas de que tanto fujo.
Mas, e se acaso numa rede distraída um dos meus mais íntimos silêncios nela se encaixa, em forma de borboleta, e uma mão meiga o afaga e aquece num abraço mudo? Poderia eu conviver com essa peça de um puzzle há tanto esquecido, perdido e desmontado no meio do pó das limitações do possível?
Ah! É que eu sei viver por entre as árvores sonhadas, de ramos fortes e folhas caducas. Eu conheço o mapa dos caminhos amarelos que, eternamente, construo e, continuamente, desaguam no mar. Eu consigo quebrar os muros e respirar um mundo livremente inventado!
Então porque teimo em me ler criatura limitada, confinada e acorrentada numa verdade tão curta que me auto-limita o horizonte à pequenez do estritamente exequível?
Liliana
"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada. (...)
A harmonia secreta da desarmonia: quero não o que está feito mas o que tortuosamente ainda se faz. Minhas desequilibradas palavras são o luxo de meu silêncio. Escrevo por acrobáticas aéreas piruetas - escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio."