segunda-feira, janeiro 22, 2007

Orfeu do Avesso

Orfeo y Eurídice por Frederico Cervelli


«Orfeu do avesso»


De pé sobre o abismo
e não morri:

Canto gregoriano
muito limpo
não me chegou:
o fim
Catedral
sobre o risco,
sobre um azul tão grande
que afundar-me podia
Ao fundo do mais fundo
mergulhei
e não morri:
amei

Ana Luísa Amaral in "Epopeias" (1994)

quinta-feira, janeiro 18, 2007

The Wizard of Oz


Somewhere over the rainbow

When all the world is a hopeless jumble
And the raindrops tumble all around
Heaven opens a magic lane
When all the clouds darken up the skyway
There's a rainbow highway to be found
Leading from your window pane
To a place behind the sun
Just a step beyond the rain

Somewhere over the rainbow way up high
There's a land that I've heard of once in a lullaby
Somewhere over the rainbow skies are blue
And the dreams that you dare to dream
Really do come true

Some day I'll wish upon a star
And wake up where the clouds are far behind me
Where troubles melt like lemon drops
Away above the chimney tops
That's where you'll find me

Somewhere over the rainbow blue birds fly
Birds fly over the rainbow
Why then, oh why can't I?
If happy little bluebirds fly beyond the rainbow
Why oh why can't I?

Letra: EH Harburg e música: Harold Arlen



Os tijolos que hoje piso...

A minha intenção ao criar este blog era que fosse um "blog de apontamentos", de frases, de poemas, de canções... que, de alguma forma me inspiram no dia-a-dia por mil e uma razões. Tinha duas regras tácitas que até hoje cumpri, 'não escrever textos negativos ou pessimistas' e 'tentar manter os ditos apontamentos na nossa língua mãe'.

Hoje vou quebrar uma dessas regras, apenas porque não poderia passar sem aqui deixar este "apontamento" inspirado numa conversa com um amigo e, de facto, não teria lógia estar a traduzir e com isso desvirtualizar por completo o poema que aqui deixo...

*Este posts é dedicado ao Jota-P http://otrovadordesencantado.blogspot.com ;)


segunda-feira, janeiro 15, 2007

A liberdade de Pessoa...

Liberdade


Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma
.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...


Fernando Pessoa