sexta-feira, setembro 29, 2006

A Rosa Azul (Bem vinda Margarida!)




"(...) As flores são assim: exigem um pouquinho de atenção, de carinho, mas dão sempre mais do que recebem. As flores são sempre sinal de abundância. Mostram que Deus não se limitou a criar uma natureza funcional. Deus é um artista! Preocupou-se com os mais pequeninos pormenores, o estame, o ínfimo grão de pólen. – e em voz baixa, com se fosse um segredo bem guardado – Sabes que é dele que se faz o mel? (...)"

Pedro Gama Vieira - A rosa
Azul

Para um amigo especial e para sua pequena Margarida.

Parabéns aos papás!

segunda-feira, setembro 25, 2006

Os ecos de Beja - O Brincador

Com o eco das Palavras Andarilhas bem vivo na minha cabeça, aqui fica uma lição que devíamos levar mais a sério no dia-a-dia, que tantas vezes chamamos cinzento...


"Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor.
Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for.
Quero brincar de manhã à noite, seja com o que for.
Quando for grande, quero ser um brincador.
Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor.
Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer. Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador, e também que imaginar, como imagina um imaginador... A minha mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida.
E depois acrescenta, a suspirar: "é assim a vida".
Custa tanto a acreditar. Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.
A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser um brincador.
Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta.
Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar mesmo depois de morta.
Na minha sepultura, vão escrever: Aqui jaz um brincador."

Álvaro Magalhães

quarta-feira, setembro 20, 2006

A flor - Almada Negreiros



Pede-se a uma criança: Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém.

Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção , outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase que não resistiu.

Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era de mais.

Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: uma flor!

As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor!

Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!

Almada Negreiros - A invenção do dia claro

A caminho das 'Palvras Andarilhas' em Beja, que outra magia podia levar comigo se não a da curva das letras de Almada Negreiros?