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quarta-feira, agosto 03, 2016

AMAnhã

Tenho uma urgência de viver que faz o meu tempo rolar como um cometa que rasga os ceus e, mais cedo ou mais tarde, embate na velocidade cruzeiro das tuas palavras. Vivo em aparente agitação, na verdade apenas a vontade de me/te dizer, saber, sentir, partilhar.

Tenho uma urgência de me dar que me atira sobre a areia ou recolhe de volta para o mar, conforme os teus olhos me vêm a mim, ou através de mim diluida numa maré baixa onde não estás. 

Tenho uma urgência em amar que me leva a bater-te à porta com tudo o que tenho, o bom e o mau, o bonito e o feio. Deitar-me nas tuas mãos e esperar que me saibas acolher.

Tenho uma urgência em dizer-me, ser em palavras, nas minhas palavras tão longe e tão perto das tuas, que por vezes pareço estrangeira. Eu que pensava a língua do amor universal e no entanto esta diversidade de sentires e quereres que urge entender.

Tenho uma urgência no estar, partilhar o espaço e as ideias e o banal de cada dia. Navego neste barco que não consigo parar e que segue a com corrente do meu tempo e a força dos ventos em que me dou e, na verdade, (sei-o tão bem) acaba sempre por zarpar antes do teu.


Esta urgência de mim choca com a velocidade cruzeiro de ti. Estudo o mapa e procuro os pontos cardeais da vida.

Quem sabe amanhã nos reencontremos num mundo só nosso "que pula e avança como bola colorida ente as mãos de uma criança"? 


Liliana







segunda-feira, abril 25, 2016

ser-TE

Queria ser-te a paz, apagar as inquietações em que tropeças. Ser água cristalina para em ti lavar os fantasmas que te acordam de madrugada. 

Queria ser-te o silêncio e calar as lágrimas em que te afogas. Pegar num regador azul claro e, com elas, inundar os medos que te doem no corpo. 

Queria ser-te o tempo que te falta a cada dia que passas a correr por entre as horas, sempre escassas. 

Queria ser-te a certeza que não tens de ti e para ti. Conseguir dizer-te das papoilas que abrem ao luar. E contar-te dos campos onde nascem os sorrisos. 

Queria-te a paz, o silêncio, o tempo e a certeza. 


Liliana Lima 


sábado, abril 16, 2016

se me SEM TE

Se acordasse sem te trazer do sonho
Se me olhasse sem a tua sombra 
Se corresse sem a tua força 
Se amasse sem o ter ser
Se me aquecesse sem o teu suor
Se me vestisse sem a tua cor
Se me encantasse sem os teus olhos
Se sorrisse sem a tua voz
Se cantasse sem o teu assobio
Se lesse sem a tua mão 
Se contasse sem os teus dedos
Se me deitasse sem o teu corpo
Se adormecesse sem o teu respirar
Se te sonhasse sem estar acordada

Liliana 


sábado, março 12, 2016

histórias...

Sabes dos cheiros que se escondem atrás de uma árvore e brincam com os nossos sentidos, num desabrochar de sensações que acordam lembranças? Tenho uma no meu jardim. Sorri-me quando passo por ela e pisca-me o olho, divertida, quando me toca em odor. 

Sabes dos cheiros dos livros, que se mostram ao virar das páginas e, imprevistos, nos fazem entrar na história, do livro mesmo? E num só segundo tocamos o último dia que nele estivemos? Tenho umas dezenas ali na estante. Uns têm histórias outros não. Mas muitos são os que, numa só página, me levam para junto de quem comigo partilhou as palavras, que novamente leio. 

Sabes dos cheiros, matreiros, que nos assaltam aqui e ali e num segundo nos atiram até à nossa infância? O café de mistura acabado de fazer, de repente pela minha avó, na cozinha ao fundo do corredor, ou as torradas ao lanche com o meu avô... Acontece-me de quando em vez e sem aviso prévio, ir num turbilhão de emoções até uma memória perdida no tempo. 

Sabes dos cheiros escondidos nos mais comuns gestos do dia-a-dia, que subtilmente me tocam e assim, numa imagem sensorial, me levam até ti? Acabei de tropeçar num agora mesmo. Podia jurar que neste momento ao teu lado, enroscada em ti, envolta pelos teus braços, inundada no nosso odor. 

Sabes dos cheiros?... Têm mil histórias para contar. 


Liliana 


sexta-feira, fevereiro 26, 2016

qUaNdO

Quando de repente o pano opaco se desvia e o silêncio se estende na cama, agora, vazia
Quando afinal o espelho reflecte a verdade dos dias e as palavras, abafadas, se mostram vazias
Quando de repente o caminho se mostra igual ao que sempre tememos, e numa lágrima salgada nos escondemos
Quando afinal na mesma pedra de sempre tropeçamos e nos lençóis frios nos deitamos
Quando de repente o omisso se insinua e a confiança, receosa, recua
Quando afinal tudo o que queremos é que a tempestade acabe e o coração, no peito, acalme

Quando já nada mais conta, os sonhos, por definição livres, acordam e fazem-nos recomeçar


Liliana


terça-feira, fevereiro 16, 2016

BOrBOleta

Voo por cima de sonhos secretos que acordam histórias infindáveis onde as palavras nunca são suficientes.  

Voo por cima do tempo que se estende tão para lá da nossa permanência, tudo tornando possível. 

Voo por cima da alma que se rasga em fogo e (sobre)vive no insossego das minhas mãos. 

Voo por sobre a morte. 
Voo por sobre a loucura. 
Voo por sobre mim... 

Liliana 


quarta-feira, janeiro 27, 2016

Terra do NUNCA

Onde foi que tropecei e deixei cair o xaile, ficando com os ombros ao frio?

Como foi que parti o relógio, ficando perdida nas horas descompassadas?

Porque foi que me perdi do caminho amarelo que trazia no mapa?

Ajuda-me a passar por cima do remoinho onde me vejo afogar.
Ajuda-me a não me ferir nas arestas que, afinal, sempre aqui estiveram.
Ajuda-me a olhar o horizonte evitando enfrentar o Sol.
Ajuda-me a pintar o mar sem deixar entrar, à força, a maré.
Ajuda-me a avançar sem carregar o peso das certezas antigas.
Ajuda-me a sorrir para o espelho sem lhe ver o que não quer mostrar.
Ajuda-me a dizer de mim, para não me amordaçar.
Ajuda-me a estar sem este peso apertado, este aperto pesado.
Ajuda-me a afastar esta zanga, de querer ao nunca chegar.

Ajuda-me a sorrir
Ajuda-me a cantar
Ajuda-me a ver
Ajuda-me a sentir
Ajuda-me a dançar
Ajuda-me a ser

Sem sombras
Nem medos
Sem fantasmas
Nem medos
Sem entrelinhas
Nem medos
Sem mágoas
Nem medos

Ajuda-me, sem medo.


Liliana


domingo, janeiro 24, 2016

NOSso

Há um chão, nosso, que pisamos numa ventania de sonhos nascida. Passo a passo, terra rasgada na embriaguez da vida.

Há um chão, nosso, desenhado na pele num arrepio calado. Alma e corpo dançando, na utopia dum sonho velado.

Há um chão, nosso, molhado pelos rios que transbordamos. Marcas de sangue que, afinal, com o tempo apagamos.

Há um chão, nosso, desenterrado dia-a-dia e a cada noite outra vez. Pé ante pé, tranquilamente (talvez).

Há um chão, nosso, agora.

E há um caminho feito palavra que, em nós, se demora.

Liliana



terça-feira, janeiro 19, 2016

TUa

Espreito-te pelo buraco da fechadura. Saberás que a porta está entreaberta ? 
Seca-se-me a garganta ao ouvir o teu canto, "rouxinol não pode cantar". Já estou há tanto tempo ao teu lado sem que a minha canção altere o ritmo da tua. Fará diferença aqui estar?


Encontro-te em todas as ruas e perco-te em cada alvorada. Nunca chegas, verdadeiramente, a ser meu. Saberás que toda eu sou tua? 
Procuro no relógio o tempo de me dizer, de te contar, de nos perguntar. Dever-me-ei apagar?


Espreito-te pelo buraco da fechadura.
Devo ou não entrar?

Liliana


céu

Do céu que (me) alcança o teu olhar.
Da vida intranquila que segue a vontade Solar.
Dos medos que se sentam a meu lado na margem.
Do sossego de tudo o que de nós fica para lembrar.
Do meu corpo feito teu, para renascer, afinal.
Das lágrimas que correm para o mar.

Do céu que (me) alcança o teu olhar.
De ti, vagabundo num sonho, perdido num verso, eternamente só, a cantar.
Dos mapas marcados na pele, ilustrando a viagem.
Das histórias que ficam por contar.
Da passagem, do tempo que tudo embrulha num tranquilo manto final.
Do quarto onde a Lua embala o meu sonhar.

Do céu que (me) alcança o teu olhar.


Liliana


sábado, janeiro 02, 2016

Não te posso abraçar,
os meus braços não chegam a ti,
as minhas mãos
não encontram as tuas

Procuro o teu cheiro na gaveta das memórias
e encontro-me enroscada em ti
numa noite de luar
com a cidade inteira
a dormir

Não te posso abraçar,
o meu colo está vazio
e a cama,
fria,
só me embala a mim

Sei-te aí, aqui, tão longe e tão perto
que, se fechar os olhos com força,
consigo ouvir o teu respirar
calmo,
tranquilo,
de quem se deixa adormecer
devagar

Não te posso abraçar, ainda
que nestas palavras tenha a certeza
de te tocar,
de te sentir,
ao meu lado,
deitado comigo,
aqui,
deitado em mim
abraçado

(será que me sentes aí?)


Liliana


sábado, dezembro 26, 2015

cinema

Sim, sei como o filme vai acabar. Não o soube imediatamente quando comprei o bilhete e entrei na sala, escura, já com o genérico no grande ecrã. Mas assim que encontrei o meu lugar e me sentei, vi o desfecho atrás do grande plano sobre o meu sentir.

Sim, é verdade que me encostei (encosto) no sofá projectando as cenas de cada capítulo, esperando que desse lado não me digas "corta" de cada vez que te levantas e me dizes adeus. Vou guardando as películas dos dias claros dentro duma lua sempre cheia, para nas noites escuras, iluminar os meus sonhos.

Sim, eu sei que os arco-íris que me transportam para lá da acção fazem parte duma realidade cinéfila pouco fiel à realidade. Reconheço os elementos cénicos no outro lado do espelho e até percebo o guarda-roupa que condiz com os sapatinhos vermelhos. 

Mas é nesse filme que sinto o descompassar do palpitar do coração e o calor húmido das imagens sugeridas e até mesmo o amargo de boca que, às vezes, se prolonga até à próxima sessão. 

É nele que sou e me dou em todas as sequências e sequelas. E é nele que escolho actuar. E, sei que, nele não se vive só de ilusão. 

Mas, sim, sei como o filme vai acabar. 


Liliana


quinta-feira, dezembro 10, 2015

pRoMeSsA

Abro a janela, alta, sob o céu baço de Lisboa. Ao fundo uma promessa de Tejo fala-me de ti. Há dias em que o longe que estamos se torna tão mais longínquo do que a distância que nos divide.

Há uma gaivota pousada em cima da chaminé do telhado em frente. Há uma mágoa que se estende por cima da ponte e apaga o rio. E há um choro, ou um canto, de mar fora do mar. E há uma gaivota que canta o meu inquieto olhar.

Abro a janela, alta, e atiro ao vento as palavras que não quero ouvir. Procuro as marcas dos dias claros e pinto o mapa das nossas Primaveras. É sempre mais difícil encontrar o teu norte quando o céu se veste de cinza.

Há uma chaminé e muitos telhados à minha frente. Há ruas e pessoas e carros, que passam, alheios a mim. E há uma promessa dum Tejo, ao fundo, que se esconde de mim.

E há uma gaivota que canta o meu inquieto olhar.


Liliana


terça-feira, junho 23, 2015

Do branco fora do papel

Dos dias em que vence o VAZIO
da não COMUNICAÇÃO

Da SOLIDÃO fria
da não RESPOSTA

Da voz rouca que chama do PRECIPÍCIO
da ausência de RETORNO

Da estranheza e CONFUSÃO
da inexistência de ECO

Do subreptício e inesperado MEDO
da emissão sem RECEPTOR

Do sentimento de ABANDONO

do reconhecimento da nossa INSIGNIFICÂNCIA 



Liliana


domingo, junho 21, 2015

não sei SE sei

Se ousar dizer, sem medo que apenas o eco me oiça
Se me atrever a perguntar sem levar na própria pergunta o peso da recusa
Se arriscar dar um passo, sem deixar um pé pronto a recuar
Se me aventurar a ver o silêncio, sem o encher de fantasmas
Se experimentar sentar-me à beira-rio sem forçar o vento e a maré
Se me lançar ao caminho sem procurar o itinerário previamente desenhado
Se resolver que, parando a inquietude do meu ser, a vida continua a correr

Se... então exponho-me à chuva, à mágoa, ao medo, à desilusão, ao vento...

E se... apesar dos pesares, sou ouvida, sou aceite, sou acariciada, sou querida, sou acolhida...
...não sei se sei por onde começar


Liliana





sábado, março 28, 2015

Ar.co

As ondas, agitadas, batem no paredão e a marginal arrepia-se com a humidade salgada.
Lá dentro, na cidade, as árvores abanam os troncos e largam as folhas que, aflitas, voam com a força do vento.
No meu mundo os barcos balançam sem conseguir aportar e as gaivotas seguem atentas o meu andar desalinhado.
As palavras voam desatentas, despidas, veladas... e enchem as ruas de desencontros que passeiam de mãos dadas.

Como seria, por uma só vez, ser arco e cobrir a cidade e as pessoas e as palavras e os barcos e os sentimentos e as águas e as árvores e as gaivotas de mil cores luminosas?
Pudera eu acalmar a tempestade e convencer o Sol a brilhar, e todas as conversas do mundo seriam claras como uma manhã de primavera.

A cidade olha-me de soslaio, como que pedindo para acalmar as palavras que, desorientadas, atropelam o trânsito.
Do meu mundo devolvo-lhe o olhar e peço, também eu, à palavra 'vento' para se acalmar e à 'água' para se tranquilizar e, por fim, deixarem os barcos navegar.

Pudera eu ser arco e na tua íris brilhar...

Liliana Lima


sexta-feira, janeiro 09, 2015

So.l

Amar-te é como adorar o Sol
Que vejo refectido na luz dourada nas águas
Que sinto percorrer a minha pele com o calor dos seus raios
Que velo todas as tardes, até que adormeça na paz branca da Lua
E que espero todas as manhãs para que acorde o céu e acenda os sonhos

Amar-te é como adorar o Sol
E saber que me aquece e sorri,
sem nunca sair da linha do horizonte
E aceitar que por muito que baixe a maré,
o horizonte está sempre mais além
E saber das nuvens que o seduzem,
ainda que lhe toldem o brilho
E perceber que, ainda que construa as asas mais firmes,
nunca lhe conseguirei chegar

Amar-te é como adorar o Sol....


Liliana


domingo, setembro 07, 2014

Perto de ti

Estou aqui (ou deveria dizer aí?)
porque cada célula do meu corpo teu
me diz que este é o meu lugar
perto de ti, por pouco que tenhas para me dar

Estou ali (ou deveria dizer aqui?)
em busca da força para me sentir de cá
apesar da vontade de ser rio
e água límpida correndo para perto de ti

Estou aí, onde os dias são compridos
e cheios de agendas que não se amparam
e silêncios que rompem estradas feridos
por fantasmas e medos que não saram

Estou, perto de ti, na mão que estendes
quando o sol brilha no Tejo
e a ponte liga as nossas margens
numa cumplicidade difícil mas que entendes

Estou em mim, sabendo que não sou daí
consciente do dia em que "se descaia o meu pé de catraia
e óleo suja a beira mar"
mas é aqui, perto de ti, que quero estar

Liliana

sexta-feira, março 08, 2013

Chão

Coração que bate sem se ouvir
num mundo que respira sem se ver
Estendo a mão a mim própria
e abro as asas com que tenho de voar

Salto e subo subo nos céus
onde me sento numa nuvem
que chove as dores que saem
à força de dentro de mim

Chamas-me. Trazes-me ao chão
e dás-me um pau para me segurar ao céu
Mas fico só. Com as dores que saem 
à força de dentro de mim

Coração que bateu sem se ouvir
asas que tenho para voar 
pau que me ajuda avançar
e força que está dentro de mim.

Liliana



sexta-feira, junho 29, 2012

Estás?

Aqui estou.
Não sou nem existo sequer, para além do meu ser físico.
Estou.
Apenas.

Nada de mim sai.
Não dou absolutamente nada que, por reflexo, não seja oferecido ou, por ausência, me seja exigido.
Estou.
Somente.

Não me entrego porque não sei de mim. Não há mar em mim onde algum navio possa viajar. Estou seca.
Estou aqui, como poderia não estar.

Sei-me ao teu lado porque te cheiro. E a tua voz me diz onde estou.
Misturo a noite com os dias que correm sem içar as velas, como quem agita o gelo num copo duma qualquer bebida áspera.
Às vezes duvido se sonho ou se os sonhos me inventam a mim.

Só sei que estou...
Só.

Liliana