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quinta-feira, janeiro 15, 2009

No dia em que 'eu olhei para ti', José Mário...

Um dia olhei para ti
e com espanto, surpresa e pesar
não descobri no teu olhar
a força de vida que conheci
e, em tempos, usei para amparar
as lágrimas que, sozinha, verti.
Um dia olhei para ti, olhei...
mas o teu olhar me traiu
e, como garrafas sem fundo vertendo
as imagens que neles busquei,
nos teus olhos parados fui lendo
as mágoas que em ti projectei.
Perdi-te, no dia em que te olhei
e com um tal manto de mágoas te cobri,
que até do reencontro te culpei.
Acho que só agora entendi
que nessa culpa fui eu que me perdi.

LL Abril-2005 / Janeiro-2009



****************************************************************************

"Quando o avião aqui chegou
quando o mês de Maio começou
eu olhei para ti
então entendi
foi um sonho mau que já passou
foi um mau bocado que acabou

Tinha esta viola numa mão
uma flor vermelha n'outra mão
tinha um grande amor
marcado pela dor
e quando a fronteira me abraçou
foi esta bagagem que encontrou


Eu vim de longe
de muito longe
o que eu andei p'ra'qui chegar

Eu vou p'ra longe
p'ra muito longe
onde nos vamos encontrar
com o que temos p'ra nos dar

E então olhei à minha volta
vi tanta esperança andar à solta
que não exitei
e os hinos cantei
foram feitos do meu coração
feitos de alegria e de paixão


Quando a nossa festa s'estragou
e o mês de Novembro se vingou
eu olhei p'ra ti
e então entendi
foi um sonho lindo que acabou
houve aqui alguém que se enganou


Tinha esta viola numa mão
coisas começadas noutra mão
tinha um grande amor
marcado pela dor
e quando a espingarda se virou
foi p'ra esta força que apontou"



Eu vim de longe - José Mário Branco

sexta-feira, janeiro 02, 2009

O que perfuma a tua vida, José Eduardo?!

"Certas palavras são como as especiarias, devem ser usadas com parcimónia. Por exemplo, esplendor, solte essa palavra numa única página e ela perfumará todo o romance. Mas use-a sem discernimento e então transformar-se-à em ruído."

José Eduardo Agualusa
"Um estranho em Goa"
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Fernando nasceu numa adeia do interior numa casa típica onde, devido à proximidade com os animais, que estavam nas lojas do rés-do-chão, tudo cheirava a eles. Não guardou consigo qualquer recordação de infância que não tivesse impregnada daquele cheiro das cabras e dos dois porcos que, nos primeiros anos da sua vida, moraram com ele.

Aos seis anos, e até ao fim do liceu, foi para o Seminário de Gouveia estudar. Quando lá chegou não foi a grandeza dos dormitórios ou a limpeza dos balneários que o espantaram, foi o cheiro daquele edifício, todos os armários, gavetas, roupeiros, arcas e até mesmo debaixo de cada colchão (e eram muitos os colchões num seminário com mais de 150 meninos...) em todo o lado havia saquinhos de Alfazema. Era apanhada ali mesmo, nos campos do Seminário, depois de seca era guardada em saquinhos de linho atados com um laços de varias cores. Aqueles botões de Alfazema enchiam o ambiente, entravam nas paredes e perfumavam o edifício de tal forma que, quando ia a casa de visita, às perguntas normais da mãe (a comida é boa? tratam-te bem?) Fernando respondia sempre com o bem que cheiravam os quartos, as salas, os corredores e até os campos.

Mais tarde optou por continuar a estudar, queria ser advogado. Para isso, e como orçamento familiar não permitia suportar sonhos desse calibre, arranjou um emprego como padeiro em Coimbra. De noite fazia o pão e de dia estudava. Toda a sua vivência nesta cidade se resumia a estes dois lugares, a Padaria e a Universidade. O seu ofício, aprendeu-o com facilidade e, rapidamente, passou de aprendiz a Mestre Padeiro. O cheiro do fermento misturado com o aroma do forno a lenha entranharam-se nele de tal forma que se convenceu que onde quer que fosse todos sabiam que era Padeiro somente pelo seu cheiro.

Finalmente acabou o curso e, para grande orgulho da sua família, lá se estabeleceu como Advogado no Cartório Notarial de Moimenta da Beira. O seu gabinete ficava no fundo do edifício, mesmo ao lado do arquivo e o cheiro a pó e papel velho infiltrou-se nas roupas , na carne e até nos ossos de Fernando, até que todos o passaram a conhecer como "Rato de Biblioteca", nome que, nos dias em que estava bem disposto até ele usava para se referir a si mesmo.

Na verdade, depois da reforma Fernando não ficou muito mais tempo para descobrir novos cheiros, foi como um botão de flor arrancado, que aos poucos deixa cair todas as pétalas até murchar por completo. Quando as suas sobrinhas foram limpar a casa e guardar os seus pertences, encontraram em todos os móveis, gavetas, roupeiros, arcas e até mesmo debaixo do colchão saquinhos de linho, com laços de varias cores cheios Alfazema, plantada ali mesmo no jardim pelo seu tio Fernando.



LL Nov/2005

terça-feira, dezembro 02, 2008

Porquê, não sei ainda...

"A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
P'ra ficar pelo caminho

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda"

Inquietação - José Mário Branco
(cantado no CD "Ser Solidário")

Bem aventurados os que não conhecem esta sensação que, como uma sombra nos segue, nos espera ao virar da esquina, nos surpreende quando olhamos o espelho e nos embala nas noites em branco...

Esta inquietação de saber que, a cada flor que desponta, a cada alvorada que nasce, há sempre alguma coisa que não percebemos, que não compreendemos e que não sabemos como resolver...

quarta-feira, novembro 26, 2008

Quantas vezes me deixo levar...

Quantas vezes, me deixo levar
e enganada me vejo
quem me dera estar segura
que tudo o que desejo
apenas no meu conto vai morar
(à minha querida Sofia)

"A cantar, a cantar é que te deixas levar

A cantar tantas vezes enganada te vi
Ai Lisboa, quem te dera estar segura
Que o teu canto é sem mistura
E nasce mesmo de ti

Lenço branco
Perdeste-te no cais
Pensaste "nunca mais"
Disseram-te "até quando"?
A cantar
Fizeram-te calar
A dor que, para dentro, ias chorando
Tanta vez
Quiseste desistir
E vimos-te partir
Sem norte
A cantar
Fizeram-te rimar
A sorte que te davam com má sorte

A cantar, a cantar é que te deixas levar
A cantar tantas vezes enganada te vi
Ai Lisboa, quem te dera estar segura
Que o teu canto é sem mistura
E nasce mesmo de ti

Tanta vez
Para te enganar a fome
Usaram o teu nome
Nas marchas da Avenida
A cantar
Puseram-te a marchar
Enquanto ias cantando distraída
A cantar
Deixaram-te sonhar
Enquanto foi sonhar à toa
A meu ver
Fizeram-te esquecer
A verdadeira marcha de Lisboa

A cantar, a cantar é que te deixas levar
A cantar tantas vezes enganada te vi
Ai Lisboa, quem te dera estar segura
Que o teu canto é sem mistura
E nasce mesmo de ti

A cantar, a cantar é que te deixas levar
A cantar tentas vezes enganada te vi
Ai Lisboa, quem te dera estar segura
Que o teu canto é sem mistura
E nasce mesmo de ti"

"A cantar" - José Mário Branco

(cantado pelo Camané no CD "Pelo dia Dentro")

terça-feira, novembro 25, 2008

Não me digas que não me compreendes...

Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr´ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força p´ra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força p´ra pouco dinheiro
Que força é essa
que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer

Que força é essa, amigo
que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Não me digas que não me compr´endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr´endes

Que força é essa
que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer

Que força é essa, amigo
que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo

'Que força é essa' - Sérgio Godinho

(Com José Mário Branco, no CD 'Irmão do meio' - 2003)

Que força é essa, amigo? Não me digas que não me compreendes...

quinta-feira, novembro 20, 2008

À minha avó... Parabéns!


Aristóteles, visita
da casa de minha avó,
não acharia esquisita
esta forma de estar só
esta maneira de ser
contra a maneira do tempo
esta maneira de ver
o que o tempo tem por dentro.
Aristóteles diria
entre dois goles de chá
que o melhor ainda será
deixar o tempo onde está
pô-lo de perto no tema e
de parte na poesia para manter
o poema dentro da ordem do dia.
Aristóteles, visita
da casa da minha avó,
não acharia esquisita
esta forma de estar só.
Ele sabia que o poeta

depois de tudo inventado
depois de tudo previsto
de tudo vistoriado
teria de fazer isto
para não continuar
com que já estava acabado
teria de ser presente
não futuro antecipado
não profeta não vidente
mas aço bem temperado
cachorro ferrando o dente
na canela do passado
adaga cravando a ponta
no coração do sentido
palavra osso furando
pele de cão perseguido.
Aristóteles, visita
da casa da minha avó,
não acharia esquisita
esta forma de estar só
esta maneira de riso
que é a mais original
forma de se ter juízo
e ser poeta actual.
Aristóteles, visita
da casa da minha avó,
também diria antes só
do que mal acompanhado
antes morto emparedado

em muro de pedra e cal
aonde não entre bicho
que não seja essencial
à evasão da palavra
deste silêncio mortal

Arte Peripoética
José Carlos Ary dos Santos
(in "Adereços, Endereços", 1965 )

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

José Afonso - Textos e Canções



"Textos e Canções", 1988 (Assírio & Alvim)


Esta é uma referência que hoje não podia deixar de fazer. Com ela festejo Abril e a liberdade de ler, publicar ou tão pouco comentar e presto a minha homenagem ao criador da Utopia no dia em faz 20 anos da sua morte (23 de Fevereiro de 1987).

Este livro é uma compilação da obra poética de José Afonso organizada cronologicamente (por Elfriede Engelmayer) que nos presenteia, não só com os poemas que nos povoam o imaginário colectivo das Canções de Intervenção, mas com tantos outros textos/poemas 'não musicados' e, por isso desconhecidos.


A leitura destes últimos, permite um olhar muito mais profundo, mais íntimo e a descoberta do poeta para além do cantor. "A possibilidade de acesso à obra de um artista é a condição «material» para que elenos seja presente(...)" (Nota Prévia - Pág. 8)


Aqui deixo um cheirinho de alecrim :



A palavra gatinha

Sem nada por cima

A palavra rompe investe perfura

Comprida a palavra perde-se

Em redor da mesa reveste-se e organiza-se

A palavra precisa de ternura


(A Palavra - Pág. 151)



segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Sou um poeta invertebrado - José Luís Peixoto


Sou um poeta invertebrado

Faço perguntas às minhas próprias dúvidas e lembro-me
De um filme antigo quando percebo que não respondem:
silêncio a preto e branco.

Procuro no meu caderno de linhas direitas. Em tempos,
Andei na escola e tinha a régua mais bonita da terceira
Classe. Era um menino de meias e calções.

Encontro uma esferográfica sem tampa e sei que sou
O último kamikaze antes da derrota. É sempre assim:
Um sentimento trágico oriental sentido a Ocidente.

O meu coração está localizado a oeste. Quero invectivar
Contra a própria rosa dos ventos que me fez nascer:
Multinacional sentimento trágico: milhares de filiais.

Quando começo a anotar as minhas preocupações, tão
Importantes apenas para mim, já me esqueci de tudo:
Os segredos esconderam-se atrás de um muro.

Restam as metáforas, alinhadas por ordem de presumível
Intensidade. Escuto-as no meu walkman tonto e desaprendo
Outra vez de ser infeliz.

José Luís Peixoto

terça-feira, janeiro 02, 2007

Uma nova estrada, o mesmo caminho



Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja bem-vindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

José Afonso


FELIZ 2007!

terça-feira, novembro 07, 2006

Cântico Negro - José Régio

Ao Mário Viegas...

Cântigo Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho os com olhos lassos,
(Há nos meus olhos ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Porque me repetis: "Vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?
Corre nas vossas veias sangue velho dos avós.
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí!

José Régio

segunda-feira, outubro 16, 2006

Mudam-se os tempos - José Mário Branco


A todos os que têm coragem para mudar:



"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o ser, muda-se a confiança.
Todo o mundo é composto de mudança.
Tomando sempre novas qualidades.

Mas se todo o mundo é
composto de mudança
troquemos-lhe as voltas,
que inda o dia é uma criança.

Continuamente vemos novidades.
Diferentes em tudo da esperança
Do mal ficam as mágoas na lembrança.
E do bem, se algum houve, as saudades

Mas se todo o mundo é
composto de mudança
troquemos-lhe as voltas,
que inda o dia é uma criança.

0 tempo cobre o chão de verde manto
Que já coberto foi de neve fria
e em mim converte em choro e doce canto

Mas se todo o mundo é
composto de mudança
troquemos-lhe as voltas,
que inda o dia é uma criança.

E afora este mudar-se cada dia.
Outra mudança faz de mor espanto.
Que não se muda já como sola

Mas se todo o mundo é
composto de mudança
troquemos-lhe as voltas,
que inda o dia é uma criança"

MUDAM-SE OS TEMPOS, MUDAM-SE AS VONTADES
Soneto: Luis de Camões / Adaptação: José Mário Branco

segunda-feira, setembro 11, 2006

José Luís Peixoto - Dentro e Sobre os Homens


"Como o sangue, corremos dentro dos corpos no momento em que abismos os puxam e devoram. Atravessamos cada ramo das árvores interiores que crescem do peito e se estendem pelos braços, pelas pernas, pelos olhares. As raízes agarram-se ao coração e nós cobrimos cada dedo fino dessas raízes que se fecham e apertam e esmagam essa pedra de fogo. Como sangue, somos lágrimas. Como sangue, existimos dentro dos gestos. As palavras são, tantas vezes, feitas daquilo que significamos. E somos o vento, os caminhos do vento sobre os rostos. O vento dentro da escuridão como o único objecto que pode ser tocado. Debaixo da pele, envolvemos as memórias, as ideias, a esperança e o desencanto."


José Luís Peixoto, in Antídoto