Nunca mais fui ver o Tejo.
Costumava ir contigo para lhe falar de mim.
Sabemos que a Terra gira e com ela as vontades e intenções e necessidades.
O Tejo perdido nos afazeres, que deixou de ser meu para passar a ser teu, nunca mais fui ver.
E faz-me falta, disso sabes tu que me levavas até à margem de cá e me deixavas reter as diferentes cores e disposições que nele ondulam.
Sabemos que quando te dei AO rio numa manhã fria de Sol, te dei O Tejo. Ficando, por isso, mais longe do "mais belo rio que corre na minha aldeia".
Nunca mais fui ver o Tejo.
Vamos ver o rio num destes dias? Podemos não pensar em nada e ficar assim, "só ao pé dele" (só ao pé de ti).
Liliana Lima
* Alberto Caeiro
in Guardador de Rebanhos
Átila, 1993
sábado, maio 25, 2019
quinta-feira, maio 16, 2019
MEMÓRIAS... do futuro
Lembras-te que os caminhos
que hoje escolhemos
amarelos e seguros amanhã se continuam a desenhar?
Lembras-te de cada beijo
que as nossas bocas já têm
para dar?
Lembras-te das mãos
que ontem aprendiam a silhueta um do outro
e já nos afagam nas noites que vão chegar?
Lembras-te das manhãs
que vamos acordar?
Lembras-te como o teu corpo
húmido e cansado de trocar de corpo um com o meu
se enrosca em mim nos lençóis que vamos comprar?
Lembras-te das palavras
que em todas as conversas que partilhamos
já repetes de hoje em diante?
Lembras-te de cada zanga
que trocamos amiúde
por carícias futuras?
Lembras-te das velas
que vamos acender?
Lembras-te dos brincos
a condizer com o anel
que me vais oferecer?
Lembras-te das canções
que vais compor com os poemas
que vou escrever?
Lembras-te das lágrimas
que no teu ombro
novamente vou secar?
Lembras-te das noites
que vamos embalar?
Lembras-te dos sorrisos
que um com o outro
vamos trocar?
Lembras-te dos tantos concertos, filmes, peças
que de mãos dadas
vamos partilhar?
Lembras-te dos caminhos
sempre amarelos e seguros
que vamos calcorrear?
Lembras-te dos dias e das noites
que vamos viver?
Lembras-te de te lembrares
das memórias conjuntas
que vamos construir?
Liliana Lima
que hoje escolhemos
amarelos e seguros amanhã se continuam a desenhar?
Lembras-te de cada beijo
que as nossas bocas já têm
para dar?
Lembras-te das mãos
que ontem aprendiam a silhueta um do outro
e já nos afagam nas noites que vão chegar?
Lembras-te das manhãs
que vamos acordar?
Lembras-te como o teu corpo
húmido e cansado de trocar de corpo um com o meu
se enrosca em mim nos lençóis que vamos comprar?
Lembras-te das palavras
que em todas as conversas que partilhamos
já repetes de hoje em diante?
Lembras-te de cada zanga
que trocamos amiúde
por carícias futuras?
Lembras-te das velas
que vamos acender?
Lembras-te dos brincos
a condizer com o anel
que me vais oferecer?
Lembras-te das canções
que vais compor com os poemas
que vou escrever?
Lembras-te das lágrimas
que no teu ombro
novamente vou secar?
Lembras-te das noites
que vamos embalar?
Lembras-te dos sorrisos
que um com o outro
vamos trocar?
Lembras-te dos tantos concertos, filmes, peças
que de mãos dadas
vamos partilhar?
Lembras-te dos caminhos
sempre amarelos e seguros
que vamos calcorrear?
Lembras-te dos dias e das noites
que vamos viver?
Lembras-te de te lembrares
das memórias conjuntas
que vamos construir?
Liliana Lima
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sexta-feira, maio 10, 2019
A(qu)Í
Estou aqui
À tua espera
Se calhar à minha
Como se espera alguém
Sem se saber de onde vem?
Podes chegar à hora marcada
(Aqui estou eu)
Mas marcada por quem?
Se todas as horas são uma hora
Mais tarde?
(E eu aqui sentada)
Seria de perguntar
De onde vens?
Para perceber
Onde irias chegar
(Podia jurar que perguntei)
Como se chega assim
Sem saber se alguém nos espera?
Não sei de onde vens
Nem quando chegas
Mas sei que estás aí
(E eu continuo aqui)
Lili
À tua espera
Se calhar à minha
Como se espera alguém
Sem se saber de onde vem?
Podes chegar à hora marcada
(Aqui estou eu)
Mas marcada por quem?
Se todas as horas são uma hora
Mais tarde?
(E eu aqui sentada)
Seria de perguntar
De onde vens?
Para perceber
Onde irias chegar
(Podia jurar que perguntei)
Como se chega assim
Sem saber se alguém nos espera?
Não sei de onde vens
Nem quando chegas
Mas sei que estás aí
(E eu continuo aqui)
Lili
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