Nem todos os dias a maré sobe e me beija os pés
Nem todas as noites a lua brilha no leito do rio
Há horas que se demoram
No sabor acre da tua ausência
No tocar áspero do teu silêncio
Na impensável ideia da tua indiferença
Nem todos os dias o meu rumo me leva ao Tejo
Nem todas as noites me descalço e entro no seu leito
Há horas que se demoram nos caminhos das marés
Liliana Lima
sábado, junho 30, 2018
sexta-feira, junho 29, 2018
dispo-ME
Dispo-me para ti
para que lumines o meu corpo
com as cores do teu olhar
E depois de me pintares
abraça-me no nosso mundo
com a cor dos teus olhos
E enrosca-me juntinho a ti
para que adormeça em paz
Lili
para que lumines o meu corpo
com as cores do teu olhar
E depois de me pintares
abraça-me no nosso mundo
com a cor dos teus olhos
E enrosca-me juntinho a ti
para que adormeça em paz
Lili
sábado, junho 16, 2018
c.ASA
A casa da minha avó tem uma arca de Noé, recheada com animais de cristal (daquele que se parte se, nos dias maus, nos apertar o coração).
A casa da minha avó tem a cama para onde eu trepava enquanto repetia, inconsequentemente, a melodia repetitiva da tabuada (sempre seguida do ralhete por a letra não rimar com a conta).
A casa da minha avó tem os dias bons, com os pratos da sala devidamente espalhados na mesa de jantar, desta vez para almoçar.
A casa da minha avó tem as memórias trazidas da frente do Tejo directamente para as molduras espalhadas um pouco por todo o lado.
A casa da minha avó tem uma menina cheia de sonhos, que escrevia com muitos erros e fazia os acentos ao contrário (devidamente vestidos de flores coloridas), para desespero da professora que, sempre zangada, ia tentando desencorajar a escrita, as flores, as cores....
Mas nada disso importava , porque logo a seguir às aulas a menina voltava... para casa da minha avó!Liliana Lima
quarta-feira, junho 13, 2018
promESSA
Quando me ofereceste o vaso com um laço e um beijo, vi que dos quatro pés que trazia plantados, dois eram rosas vermelhas e outros dois eram, redundantemente, cor-de-rosa.
Escolhi um novo vaso, "a sério", de barro para deixar transpirar a terra e juntei fertilizante. E esperei.
Dois dos pés deixaram cair as rosas que traziam ainda por abrir e as outras choveram pétalas em excesso. Tirei todos os ramos mortos e folhas secas. E esperei.
Quando o sol resolveu espreitar reguei e vi que, três dos quatro pés eram habitados por uns estranhos bichos microscópicos que os rodeavam numa espécie de rede quase transparente. A medo, usei o insecticida em toda a planta. E esperei.
Com a mesma teimosia com que o Sol deixou de brilhar os bichos, quase microscópicos, mantiveram-se tecendo redes de comunicação entre folhas e ramos, apesar dos sprays e das lavagens. Cortei os três ramos quase pela raiz. E esperei.
O único pé que não cortei, continuou a crescer, alheio à aridez envolvente. Vi o nascer de uma promessa de botão. E esperei.
Hoje, com o Sol finalmente a banhar o vaso de barro, o botão abriu em rosa e, a toda a volta dos ramos cortados, nasceram pequenas folhas dum verde muito claro.
Olhei para a rosa e para os futuros ramos e para toda a simbologia que ali cresce neste preciso momento e sorri. Tirei uma fotografia, e registei a memória "para mais tarde recordar". E espero.
Liliana Lima
segunda-feira, junho 11, 2018
aqui!
Espreito o Sol que pede licença para me aquecer a alma.
Olho o céu azul, do azul dos dias mais claros.
E deixo-me levar pelo vento suave.Onde estou? Aqui!
É aqui que me encontro, me recomeço e me remendo.
É aqui que sou!sábado, junho 09, 2018
chEIRO
Alguma coisa sem importância fez-me pensar em ti. Pintei-te dentro de mim, bem real, bem claro. Sentado na sala em frente à televisão. Encostado, descontraído.
Alguma coisa sem importância lembrou-me de ti, de forma bem clara e bem real. Com os olhos fechados, num repente, parecia ter-te aqui, na sala, tão perto que o teu cheiro me invadiu os sentidos e baralhou as realidades.
Nunca me tinha acontecido uma memória avivar uma sensação tão real, tão clara. Já te tenho dentro de mim de tal forma vivo que, mesmo sem estares te sinto, te antevejo as reacções e até te cheiro ao meu lado.
Uma coisa qualquer, sem qualquer importância, acendeu no meu corpo o cheiro, único, do teu. Será que, por aí, sentes o meu?...
Liliana Lima
quinta-feira, junho 07, 2018
REALidade
Deixei de te dizer de mim
Da falta de vontade
de contar, sequer
E do caos instalado no fim
de tantos dias em que
em vez de descansar
me obriga a revirar o mundo interno
que se queria encerrar na concha
deitada ao mar
Porque demora a explicar
(e a entender...)
Porque cada palavra,
soletrada,
no seu mais baixo volume,
um dia, uma tarde,
uma noite qualquer
Será virada do avesso,
despida, interrogada e,
sempre sem querer,
rejeitada, incompreendida
fechada
Porque é este o signo
da loucura
trazermos em nós a semente
da mais pura clarividência
e com ela a sua irmã solidão
É que é não é possível
a (sobre)vivência
ao comum espectador, são,
aos maleficios da realidade
nua e crua
E por isso hoje,
esta noite pelo menos,
deixarei de te dizer de mim
Para que, em paz, possas dormir
por fim
Liliana Lima
Da falta de vontade
de contar, sequer
E do caos instalado no fim
de tantos dias em que
em vez de descansar
me obriga a revirar o mundo interno
que se queria encerrar na concha
deitada ao mar
Porque demora a explicar
(e a entender...)
Porque cada palavra,
soletrada,
no seu mais baixo volume,
um dia, uma tarde,
uma noite qualquer
Será virada do avesso,
despida, interrogada e,
sempre sem querer,
rejeitada, incompreendida
fechada
Porque é este o signo
da loucura
trazermos em nós a semente
da mais pura clarividência
e com ela a sua irmã solidão
É que é não é possível
a (sobre)vivência
ao comum espectador, são,
aos maleficios da realidade
nua e crua
E por isso hoje,
esta noite pelo menos,
deixarei de te dizer de mim
Para que, em paz, possas dormir
por fim
Liliana Lima
terça-feira, junho 05, 2018
VIOlento
Olha para o céu neste dia cinzento
Sim, eu sei que as cores que digo
Eu sei que não sou tão rosa como aparento
Sim, eu sei que as cores que digo
Azul-escuro
Cinza
Preto
Castanho-escuro
Cinza
Preto
Não são as cores com que querias almoçar
Mas eu não sei sentir e falar a brincar
Olha para o céu que agora se abre em azul-claro
Para depois chover as cores que em mim trago
Preto
Cinza
Escuro
Preto
Olha para o céu e dá-me a mão
Sei que não querias com estas cores almoçar
Mas prometo, que se as libertar pinto de claro o coração
Cinza, a clarear
Lilás, talvez
Branco, quem sabe
Verde, no olhar
Deixa o céu cinzento e olha para mim
Percebes onde estou e de onde vim?
Sabes que me pintei para ti?
Deixa o céu que está cinzento
E diz-me o porquê deste arco-íris tão violento...
Em mim.
Liliana Lima
Mas eu não sei sentir e falar a brincar
Olha para o céu que agora se abre em azul-claro
Para depois chover as cores que em mim trago
Preto
Cinza
Escuro
Preto
Olha para o céu e dá-me a mão
Sei que não querias com estas cores almoçar
Mas prometo, que se as libertar pinto de claro o coração
Cinza, a clarear
Lilás, talvez
Branco, quem sabe
Verde, no olhar
Deixa o céu cinzento e olha para mim
Percebes onde estou e de onde vim?
Sabes que me pintei para ti?
Deixa o céu que está cinzento
E diz-me o porquê deste arco-íris tão violento...
Em mim.
Liliana Lima
sábado, junho 02, 2018
flor.es
Se um dia eu te der flores,
vai ser num
vaso pronto
a plantar.
Serão rosa-velho,
pequeninas e só te
chamarão pr'ás
regar.
Se um dia eu te der flores,
vai ser
numa manhã para
lembrar.
Serão muitas,
abertas,
de pétalas brancas
e, no teu
canteiro,
eu mesma
as vou
guardar.
vai ser num
vaso pronto
a plantar.
Serão rosa-velho,
pequeninas e só te
chamarão pr'ás
regar.
Se um dia eu te der flores,
vai ser
numa manhã para
lembrar.
Serão muitas,
abertas,
de pétalas brancas
e, no teu
canteiro,
eu mesma
as vou
guardar.
Se um dia eu te der flores,
vai ser ainda
por semear.
Estarão
numa caixinha
fechada
à espera que,
delas,
te decidas
lembrar.
Se um dia eu te der flores,
tenho certeza,
que vais por elas
olhar.
É que,
nos dias em que me deste flores,
em botão, vasos
ou ramos,
plantadas, secas
ou regadas,
por mim,
todas elas
são para
acarinhar.
Liliana Lima
SuSpiro
No silêncio das palavras
Abraço
Vontade
Beijo
Tejo
Abraço
Querer
Tejo
Beijo
Abraço
Arrepio
Calor
Tejo
Abraço
Me perco e nos encontro
Seda
Suspiro
Humidade
Beijo
Tejo
Lua
Vontade
Lábios
Mãos
Abraço
Me sinto e nos uno
No silêncio das palavras
Liliana Lima
Abraço
Vontade
Beijo
Tejo
Abraço
Querer
Tejo
Beijo
Abraço
Arrepio
Calor
Tejo
Abraço
Me perco e nos encontro
Seda
Suspiro
Humidade
Beijo
Tejo
Lua
Vontade
Lábios
Mãos
Abraço
Me sinto e nos uno
No silêncio das palavras
Liliana Lima
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