Não digas que já não vês a sombra,
tem-na colada aos pés e às mãos,
cosida com fio de pesca ao coração.
Não te zangues quando a vejo
à tua procura, atrás das colunas,
por entre as caixas, acordando os medos.
Não esperes que não a oiça chamar-te
à janela, do lado de lá da noite,
em vontades inquietas, amordaçando os sonhos.
A sombra a que estás preso
das mãos aos pés,
tolda-te os sentidos
e traz-nos sempre ao início.
Acende a luz
Levanta-te
Liberta os fantasmas
E deixa-nos voar
Lili
domingo, abril 29, 2018
fecha os OLHOS
Fecha os olhos para que se apague a luz e tudo o que parece possa ser.
Acende uma vela ao fundo para que o que é se possa mostrar.
Aproxima-te e, baixinho, junto do meu ouvido, diz-me as inverdades que conseguires manter como certas.
Aqui onde as formas dançam ao ritmo da luz da vela, tudo parece tão mais simples! O meu corpo que se entrega ao teu sem inibições ou medos. O mundo inteiro que fechamos fora da porta. E a cumplicidade entre o que é e o que apenas parece ser.
Fecha os olhos para que se apague a luz e deixa que acredite nas fadas da noite.
Mas amanhã, de olhos abertos e corpos vestidos, não deixes que o que é seja apenas o que parece.
Amanhã, na luz do dia, diz-me a cor do rio e a força do mar, por muito que não o queira ouvir.
E depois não te preocupes, haverá sempre um espaço onde, de olhos fechados, deixaremos que, o que parece possa ser.
Lili
Acende uma vela ao fundo para que o que é se possa mostrar.
Aproxima-te e, baixinho, junto do meu ouvido, diz-me as inverdades que conseguires manter como certas.
Aqui onde as formas dançam ao ritmo da luz da vela, tudo parece tão mais simples! O meu corpo que se entrega ao teu sem inibições ou medos. O mundo inteiro que fechamos fora da porta. E a cumplicidade entre o que é e o que apenas parece ser.
Fecha os olhos para que se apague a luz e deixa que acredite nas fadas da noite.
Mas amanhã, de olhos abertos e corpos vestidos, não deixes que o que é seja apenas o que parece.
Amanhã, na luz do dia, diz-me a cor do rio e a força do mar, por muito que não o queira ouvir.
E depois não te preocupes, haverá sempre um espaço onde, de olhos fechados, deixaremos que, o que parece possa ser.
Lili
quinta-feira, abril 26, 2018
.AL.vo.ra.DA.
A cada alvorada algo em mim se apaga
O caminho não foi de tijolos amarelos construido
E o meu vestido já não é cor-de-rosa
Sabias que cheguei cá muito antes de ti?
Sim, o banco onde te sentas fui eu que o construí
Carreguei cada mágoa durante a madrugada
E fiz delas as tábuas com que me protegi
A cada alvorada algo em mim se perde
A terra em que ando descalça magoa-me os pés
Está coberta de pedras trazidas por outras marés
Sabias que todas as flores que nascem no caminho
Fui eu que as plantei, semente a semente
Regadas com as lágrimas dos anos
Que outros barcos levaram na corente
A cada alvorada algo de mim se tolda
Uma seda branca que me abafa e amordaça
Enrolando-me numa rede que me envelhece e descolora
Sabias que já não sou quem tu conheceste?
Deste conta que a areia caiu tantas vezes em vão?
Se antes sabia o que era sem sombra nem dúvida
Hoje tudo não passa duma ampulheta que rodo na minha mão
A cada alvovarada algo em mim se apaga
Liliana Lima
O caminho não foi de tijolos amarelos construido
E o meu vestido já não é cor-de-rosa
Sabias que cheguei cá muito antes de ti?
Sim, o banco onde te sentas fui eu que o construí
Carreguei cada mágoa durante a madrugada
E fiz delas as tábuas com que me protegi
A cada alvorada algo em mim se perde
A terra em que ando descalça magoa-me os pés
Está coberta de pedras trazidas por outras marés
Sabias que todas as flores que nascem no caminho
Fui eu que as plantei, semente a semente
Regadas com as lágrimas dos anos
Que outros barcos levaram na corente
A cada alvorada algo de mim se tolda
Uma seda branca que me abafa e amordaça
Enrolando-me numa rede que me envelhece e descolora
Sabias que já não sou quem tu conheceste?
Deste conta que a areia caiu tantas vezes em vão?
Se antes sabia o que era sem sombra nem dúvida
Hoje tudo não passa duma ampulheta que rodo na minha mão
A cada alvovarada algo em mim se apaga
Liliana Lima
quarta-feira, abril 18, 2018
soL de priMAveRA
O vazio enche os silêncios que se sentam comigo ao Sol tímido de Primavera.
Falo com ele como se contigo converssasse. Às vezes é mais fácil dizer-me assim, aos silêncios. Deles não espero resposta e por isso não me desapontam, nem pelos vazios que acordam, nem por não me entenderem o olhar, ou não perceberam o ton de voz, ou não anteverem o que me faz falta (que nem sempre é animar a malta).
Deixo o sol, atrasado, aquecer-me o corpo, cansado, enquanto procuro a tua mão nos silêncios que me abraçam por entre o vazio que, aqui, se senta comigo.
Liliana
quinta-feira, abril 05, 2018
O canto DA papOILA
Fui descendo a calçada
Por entre carros fora dos carris
E respostas por aparecer
E palavras que esperava ler
Os sorrisos primaveris
Fogem rápido como balões
E as promessas que nos fazemos
Borboletas inquietas a esvoaçar
Fui subindo a avenida
Com os sacos cheios de promessas
Quase todas por começar
E um cansaço, enjoativo, pesado
Com o poder de tudo apagar
As tardes de Primavera
Cantam canções de embalar
Mesmo quando o silêncio que ecoa
Não nos deixa avançar
No canto dum passeio
Perdida num canteiro
Uma papoila chama por mim
Tráz-me à terra, e neste dia louco
Lembra-me de ti
Liliana Lima
Por entre carros fora dos carris
E respostas por aparecer
E palavras que esperava ler
Os sorrisos primaveris
Fogem rápido como balões
E as promessas que nos fazemos
Borboletas inquietas a esvoaçar
Fui subindo a avenida
Com os sacos cheios de promessas
Quase todas por começar
E um cansaço, enjoativo, pesado
Com o poder de tudo apagar
As tardes de Primavera
Cantam canções de embalar
Mesmo quando o silêncio que ecoa
Não nos deixa avançar
No canto dum passeio
Perdida num canteiro
Uma papoila chama por mim
Tráz-me à terra, e neste dia louco
Lembra-me de ti
Liliana Lima
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quarta-feira, abril 04, 2018
ABRAço
E quando uma noite branca escurece num qualquer chão de cozinha desarrumada?
Quando uma flor aberta murcha num vaso esquecido?
Quando uma cama quente se deixa esfriar num milésimo de segundo?
Quando os lábios que recebem um beijo se não se permitem descongelar?
Quando o abraço que se levanta deixa vazio o corpo que fica deitado?
O que fazer com o branco da noite que nos escorre pelss mãos abertas?
Como semear uma nova flor num vaso sem água nem terra?
Como manter quentes os lençóis de seda azul celeste desmanchados pelo amor que ali se fez?
Como prolongar o beijo para lá dos lábios?
Como deixar um pouco do calor, da paixão, da alegria dum abraço, num corpo que se mantém só ao nosso lado?
Como ser suficiente quando a ferida vai para além dos limites dos mapas estelares que conhecemos?
Como amar alguém que teima em sentir-se abandonado?
Liliana Lima
Quando uma flor aberta murcha num vaso esquecido?
Quando uma cama quente se deixa esfriar num milésimo de segundo?
Quando os lábios que recebem um beijo se não se permitem descongelar?
Quando o abraço que se levanta deixa vazio o corpo que fica deitado?
O que fazer com o branco da noite que nos escorre pelss mãos abertas?
Como semear uma nova flor num vaso sem água nem terra?
Como manter quentes os lençóis de seda azul celeste desmanchados pelo amor que ali se fez?
Como prolongar o beijo para lá dos lábios?
Como deixar um pouco do calor, da paixão, da alegria dum abraço, num corpo que se mantém só ao nosso lado?
Como ser suficiente quando a ferida vai para além dos limites dos mapas estelares que conhecemos?
Como amar alguém que teima em sentir-se abandonado?
Liliana Lima
terça-feira, abril 03, 2018
SO.mos
Como sabes que sabes o que sinto?
Onde vais buscar a certeza de que é verdade o que digo?
Porque fazes da minha palavra a minha verdade?
Quando sentes em ti a presença, longínqua, do meu querer?
É assim...
É mesmo aí...
É exactamente por isso...
E, precisamente, nesse momento...
...que somos!
Liliana Lima
Onde vais buscar a certeza de que é verdade o que digo?
Porque fazes da minha palavra a minha verdade?
Quando sentes em ti a presença, longínqua, do meu querer?
É assim...
É mesmo aí...
É exactamente por isso...
E, precisamente, nesse momento...
...que somos!
Liliana Lima
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