Porque me vieste buscar, boneca de trapos vestida para teu bel prazer
Se não queres coser os remendos?
Porque me vieste buscar, relógio avariado, adiantado ou atrasado, quase nunca acertado com o teu
Sem a disponibilidade de calibrar os ponteiros e olear a engrenagem?
Porque que me vieste buscar, vela enfonada pelos ventos do oriente
Se não trazes contigo o quadrante?
Porquê?
Porque me dizes que queres uma paz que não sabes(emos) construir?
Querêla-às de facto?
Existirà sequer?
Porquê?
Diz-me.
Tu.
Que me vieste buscar...
Liliana
Museu da Electricidade
Gosto que olhes para mim.
Gosto de ver os teus olhos olhar-me. Perto dos meus.
Nua das tantas camadas que trago comigo.
Gosto de olhar para ti.
Gosto de sentir os meus olhos olhar-te. Junto dos teus.
Enquanto te aproximas de mim.
Gosto que me olhes, olhos nos olhos.
De perto.
De tão perto que, quando olho para ti, sinto que me vês, assim, de dentro para fora.
Liliana Lima
(* oferecido e pintado pela minha prima Luísa Bruno)