A casa está a cair por dentro, e o esforço que faço para a segurar, em pé, apenas com o olhar, é somente para não te dar trabalho.
O bem estar que te ofereço, é o espelho do que gostaria de ter para mim, e que partilharia, a sério, contigo.
A alegria não trago comigo, mas finjo, para não te brindar com um bouquet de lágrimas que só nos atrapalhariam o andar.
Assim, partilhamos minutos nos quais podemos rir, ser alegres, sempre a brincar!
Liliana
terça-feira, março 25, 2014
terça-feira, março 18, 2014
Farrapos
Tocas-me ao de leve, quase como uma pluma,
quase nem chegando a tocar.
Será que me tocas a mim ou a um passado
com farrapos no presente?
E por isso a leveza, o quase receio...
De me tocar, neste corpo
que vês tão diferente do passado (sempre) perfeito
De me perceber, a mim, à tua frente
no corpo onde, se tocares, só o presente vais encontrar
Tocas-me ao de leve...
É a mim que estás a tocar?
quase nem chegando a tocar.
Será que me tocas a mim ou a um passado
com farrapos no presente?
E por isso a leveza, o quase receio...
De me tocar, neste corpo
que vês tão diferente do passado (sempre) perfeito
De me perceber, a mim, à tua frente
no corpo onde, se tocares, só o presente vais encontrar
Tocas-me ao de leve...
É a mim que estás a tocar?
Liliana
quinta-feira, março 13, 2014
Kiko
Nasce-me o dia com um sol que não me convida a sair. Levanto-me, pego nele, puxo de um lado, aperto do outro, ralho, e corro contra os minutos que, inalteravelmente, nos ultrapassam ainda na cozinha.
Saio para o dia onde não quero estar, onde não me apetece ser. E corremos ainda com o teu sorriso que me impele e me empurra para avançar através do jardim e espantar-me com coisas tão triviais como uma folha torta ou um pau em V.
Sempre a correr que a vida é curta e os afazeres muitos. Chegamos. E de repente voltas a bebé, enrolas-te em mim, queres ver-me até entrares na porta ao cimo das escadas. E desapareces para um mundo onde, pela primeira vez não faço parte, um mundo onde és tu quem cuida de ti, te defende e te embala nos momentos de dor.
E eu... volto para o dia de sol, onde nada faz sentido, agora que, também tu já sabes ir embora.
Liliana
segunda-feira, março 03, 2014
Borrão
As ondas batem, ao fundo, rebentando a harmonia e o silêncio da sala
A força com que embate a água nas rochas, ao fundo,
eleva um remoinho de espuma que se dispersa com o vento
e me molha a folha e borra as palavras que se desfazem,
como a onda que empurra e varre a areia para cima da estrada
Pego na folha e tento secar as letras que te escrevi
um borrão de tinta azul que tudo mistura e transfigura,
gritando com o mar que hoje não é o dia de escrever para ti
A sala é envolvida pela onda que tudo submerge e conserva em sal,
a folha, o borrão, eu, as letras, as palavras ,e o tu para quem escrevia
olhando-me de lado e segredando no meio das águas, "não estou aqui"
A maré vaza e deixa para trás os despojos espalhados na sala
de quem escrevia, do que escrevia e para quem escrevia
A areia continua espalhada na estrada
olho-a da janela e vejo as palavras que se diluíram
desenhando ao mundo o que, afinal, te podia escrever
A força com que embate a água nas rochas, ao fundo,
eleva um remoinho de espuma que se dispersa com o vento
e me molha a folha e borra as palavras que se desfazem,
como a onda que empurra e varre a areia para cima da estrada
Pego na folha e tento secar as letras que te escrevi
um borrão de tinta azul que tudo mistura e transfigura,
gritando com o mar que hoje não é o dia de escrever para ti
A sala é envolvida pela onda que tudo submerge e conserva em sal,
a folha, o borrão, eu, as letras, as palavras ,e o tu para quem escrevia
olhando-me de lado e segredando no meio das águas, "não estou aqui"
A maré vaza e deixa para trás os despojos espalhados na sala
de quem escrevia, do que escrevia e para quem escrevia
A areia continua espalhada na estrada
olho-a da janela e vejo as palavras que se diluíram
desenhando ao mundo o que, afinal, te podia escrever
Liliana
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